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POVOAMENTO E POLÍTICA 

Os Estrangeiros no Povoamento

A partir de 1835 começaram a chegar os primeiros imigrantes estrangeiros. De origem alemã e suíça, estabeleceram-se a princípio nos arredores de Curitiba. Tempos depois, entretanto alguns foram se mudando para o interior. Para Ponta Grossa vieram os Canto, Naumann e Bahls. Dedicaram-se ao comércio, pois traziam recursos e tinham aptidão para negociar.

Em 1878 chegam aos arredores de Ponta Grossa os imigrantes russo-alemães. Vinham da Rússia, para onde seus antepassados, das terras alemãs, haviam emigrado a convite de Catarina, a Grande, soberana dos russos. Em colônias próximas ao Volga, durante o reinado da soberana de origem germânica, foram bem tratados, embora a população jamais os tivesse aceitado em suas comunidades.

Após a morte da Czarina, a situação mudou. Hostilizados abertamente agora não só pelo povo, mas também pelo governo, passaram a sofrer duramente. Tentaram voltar para as terras alemãs, mas foram impedidos pelos governos destas. Vivendo miseravelmente em choças de terra batida, sofrendo o inverno rigoroso da região, apelavam aos países que os aceitassem como colonos. D. Pedro II, imperador do Brasil, numa das suas viagens à Europa, tomou conhecimento destes acontecimentos, e sabendo que o grande problema do Brasil ainda era o povoamento, imediatamente facilitou a vinda destes elementos. Devido ao clima foram trazidos para o sul, e enviados ao Paraná, por ser a mais nova Província do Brasil, e a que mais se ressentia talvez, no momento, de colonizadores.

Encaminhados para a Colônia Otávio, dividida em 20 núcleos nos arredores de Ponta Grossa: Tavares Bastos, Taquarí, Tibagi, Dona Luiza, Moema, Eurídice, Botuquara, ltaiacoca, Sanlta Matilde, Guaraúna, Guarauninha, Uvaranas, Rio Verde, Santa Rita, Dona Adelaide, Trindade, Floresta, Neves, Capivari e Pelado. Aí receberam terras do governo provincial que as adquiria dos ricos fazendeiros. Mas eram terras impróprias à agricultura e com a desvantagem de não conhecerem o clima nem as culturas apropriadas ao solo, os colonos fracassaram já de princípio. Começaram então a emigrar para a Argentina, onde o governo de fato estava assistindo e orientando a colonização.

Entretanto, muitos ficaram. Com árduos esforços viram suas terras produzir e então permaneceram. Outros começaram a vir para a cidade. Aqui passaram a dedicar-se a ofícios os mais diversos, tais como: serradores, sapateiros, ferreiros, alfaiates, tecelões, carpinteiros, marceneiros, pedreiros, caldeireiros, chapeleiros, etc. Por serem trabalhos manuais eram considerados servis pela sociedade local, que portanto, colocava os novos moradores à distância. Estes sentiram durante muitos anos a diferença e a separação a que estavam relegados, e somente muitos anos depois seus netos bisnetos começaram a sentir que as barreiras estavam ruindo e felizmente não houve mais discriminação social, e passaram todos a constituir a grande família pontagrossense.

Por pertencerem estes imigrantes à religião católica e outros à religião reformada luterana, passaram os católicos a freqüentar a Igreja Matriz de Sant'Ana, outros a Capela de Nossa Senhora do Rosário, e colaboraram na construção da Capela do Divino Espírito Santo (São Vendelino), na Colônia Dona Luiza, que passou a ser freqüentada exclusivamente por estes colonos. Os luteranos construíram uma pequena casa nos arredores da cidade, e ali freqüentavam os cultos religiosos.

 Os colonos russo-alemães que não emigraram para a Argentina, e cujas terras produziram; foram alguns anos depois, obrigados a abandoná-las pelas ameaças constantes de jagunços, de ricos fazendeiros, que ambicionavam a anexação destas terras às suas fazendas. Assim quase todos acabaram vindo para a cidade. Muitos passaram a criar porcos e fabricar banha, surgindo então as primeiras fábricas desse produto. Outros passaram a trabalhar em olarias, fabricando tijolos e te1has, alguns passaram a explorar curtumes, preparando peles e couros para vários empregos.

Muitos se dedicaram, entretanto, a viver do transporte de mercadorias. Construíam toscas carroças, retangulares, de quatro rodas com tolda, puxadas por parelhas de quatro cavalos, e enfrentavam as péssimas estradas e caminhos do interior paranaense. Traziam erva-mate e outros produtos, para serem embarcados na Estrada de Ferro, com destino a São Paulo, a Paranaguá ou ao sul do País. Moravam os imigrantes russo-alemães em casas de madeira. Muito limpas, assoalho de tábuas areadas, cozinhas asseadas, com as paredes cobertas com panos bordados e frases pitorescas, o que lhes davam um aspecto bastante alegre. Prateleiras onde as panelas brilhavam de tão esfregadas.

Estes imigrantes custaram a se adaptar aos costumes locais. Nos primeiros anos continuavam vestindo suas roupas pesadas e grossas, apropriadas ao clima europeu, mas impróprias ao nosso calor. Aos poucos foram aderindo à moda local, e pouco tempo depois, apenas a cor do cabelo, pele, e os olhos azuis diferenciavam-nos da população do lugar. Muitos continuaram falando o idioma alemão, e não se preocupavam em aprender a língua da terra. Na Igreja, alguns padres estrangeiros passaram a fazer o sermão em alemão, o que levou o Bispo Diocesano de Curitiba, D. João Braga, a fazer uma severa advertência aos Vigários da Matriz de Sant'Ana, para que passassem a usar somente o idioma nacional nos sermões e nos confessionários, obrigando assim os novos moradores a aprenderem a nossa língua.

Ainda assim, os imigrantes procuraram com todo o empenho, que nas escolas por eles fundadas, uma junto ao templo luterano, próxima ao Hospital da Santa Casa, e outra no bairro da Colônia Dona Luiza, fosse ensinada a língua alemã aos seus filhos. Gostavam muito de música, e era comum algum membro da família tocar um instrumento musical. Este gosto acentuado por esta arte, levou-os a participar da vida musical na cidade. As primeiras bandas musicais contavam com inúmeros elementos russo-alemães entre seus componentes.

A princípio os casamentos se faziam entre os imigrantes que às vezes viajavam de uma colônia a outra à procura de uma esposa. Era raro que os moradores locais permitissem. o casamento de seus filhos com filhos dos estrangeiros. Isto só ocorria quando eram muito pobres e as condições dos imigrantes eram melhores, ou então quando era de cor. Mas, entre as famílias tradicionais o casamento com filhos de estrangeiros era um verdadeiro tabu. Com o passar dos anos, esta maneira de pensar modificou-se, e principalmente com a ascensão dos descendentes dos estrangeiros às camadas sociais mais elevadas, através de estudos, hoje são muitas as famílias de destaque na sociedade princesina com sobrenome estrangeiro, e de casamentos bem sucedidos entre filhos de famílias tradicionais, filhos, netos de imigrantes.

No povoamento de Ponta Grossa, devemos contar com o elemento po1onês que aqui chegou por volta de 1895, talvez um pouco antes. Haviam chegado ao Paraná em 1870. Destinavam-se às colônias dos arredores de Curitiba. Alguns, entretanto, anos depois começaram a se mudar para o interior. Os novos contingentes que Chegavam já eram encaminhados para as Colônias do Ivaí, Irati, Mallet, Rio Azul, Prudentópolis, etc...

Próximo a Ponta Grossa, instalaram-se no Taquarí dos Polacos, Guaraúna, Teixeira Soares, etc... Vinham para o Brasil, fugindo de situação difícil, pois a Polônia estava muito sob o jugo da Rússia e da Prússia, que submetiam os poloneses a duras provas. Pesados impostos, serviço militar obrigatório por uma bandeira que não era deles, levava esta gente a emigrar para longe. Nas imediações de Ponta Grossa construíram suas casas de tábuas de pinho; até o telhado era de tabuinhas, pois as telhas eram caras e difíceis de adquirir. Assoalhadas, muito limpas, tinham nas paredes quadros de santos. Costumavam ter duas cozinhas. Uma para mostrar às visitas e outra, construída fora, para o uso geral.

Os poloneses ao voltarem do trabalho no campo, lavavam os pés, pois costumavam trabalhar descalços. Para dormir, lavavam os pés, as mãos e o rosto. O banho corporal só aos sábados. As mulheres eram ótimas donas de casa. Cozinhavam bem, assavam o pão de centeio em fornos de barro e cuidavam bem dos filhos. A família era gera1mente numerosa. Loiros, altos, olhos azuis, nariz bem feito, maçãs do rosto salientes, os poloneses eram em geral bonitos. Apreciavam trajes vistosos e de tonalidades variadas. As mulheres usavam lenço na cabeça, amarrado ao queixo. Bordavam suas blusas e saias, com habilidades e capricho. Gostavam de levantar cedo e deitar cedo também. Trabalhavam com afinco o dia todo. Nos campos plantavam o centeio, batata e trigo.

Os homens quando não estavam na lavoura gostavam de trabalhar em madeira, entalhando e fazendo objetos artísticos. Esta habilidade era ensinada de pai para filho. Como transporte usavam a carroça que era retangular, de quatro rodas, com um toldo e puxada por dois ou quatro cavalos. Era o meio de transporte usado para levar mercadorias e para irem à Igreja aos domingos. Nas festas de casamento o cortejo era feito com as carroças. Eram muito religiosos. Aqui em Ponta Grossa, os poloneses aos poucos passaram a freqüentar a pequena capela de São João, arruinada, no Largo do mesmo nome. Foram eles que se cotizaram e fizeram construir novo templo ao lado da velha capela.

Nos últimos anos do século passado e a partir do século XX, Ponta Grossa viu chegar gradativamente outros europeus, de diversos lugares da Europa. Vieram os italianos. A princípio destinados às Colônias próximas de Morretes, do Assunguí e de Santa Felicidade nos arredores de Curitiba, começaram alguns deles a se deslocar para outras regiões, em busca de melhores oportunidades.

Aqui em Ponta Grossa adquiriram terras em Uvaranas, e dedicaram-se a criação de gado leiteiro. Pelas ruas da cidade tomou-se comum ver moças bonitas, coradas, guiando carrocinhas e distribuindo o leite pela freguesia. Vendiam também queijo, manteiga, requeijão, nata, ovos, frangos, e muitos deles prosperaram. A pedido desses italianos e dos seus filhos, foi erigida a Capela de Nossa Senhora Imaculada Conceição, em 1924, no inicio do bairro de Uvaranas. Eram muito alegres, unidos, e gostavam de música e de cantos. Muitos de seus descendentes tomaram-se grandes fazendeiros e outros passaram a dedicar-se ao comércio na cidade.

Chegaram os austríacos, suíços, alemães, bem como mais poloneses e os primeiros ucraínos. Dedicavam-se a exploração de açougues, fabricavam salames e outros tipos desta espécie. Alguns passaram a fabricar cerveja. Surgiram então as primeiras cervejarias em nossa cidade. Uma das maiores, a Cervejaria Adriática, prosperou, e hoje pertence à Cia. Antártica Paulista. Alguns eram relojoeiros, outros fotógrafos, ourives, chapeleiros, marceneiros, e assim a cidade começou a ficar provida destes serviços especializados, e dos quais se ressentia tanto.

Mais tarde chegaram os primeiros imigrantes do Oriente. Eram sírios e libaneses, e como é do costume, abriram logo suas lojas e armarinhos. Os mais pobres passaram às vendas ambulantes, mascateando pelos arredores, com suas malas às costas, ou então vendendo frutas de porta em porta.

E assim Ponta Grossa, verdadeiro cadinho de nacionalidades, foi crescendo e até hoje mantém suas portas abertas a todos os que aqui chegam, ou querem aqui vir morar, e contribuir com sua parcela de esforços no progresso e grandeza da cidade.

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