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Religião e Instituições Iniciais 

(Profª. Guísela V. Frey Holzmann)

Ponta Grossa foi criada sob a invocação de Sant'Ana, sua Padroeira. Ninguém contesta isto pois o próprio Decreto Imperial que criava a Freguesia, o fazia sob o rogo da Santa, que os antigos povoadores muito veneravam, por acharem que a Mãe de Nossa Senhora protegia com especial cuidado as novas povoações e o povo humilde do interior.

Não se pode ignorar, portanto, que desde os primórdios nosso povo sempre se ligou de maneira muito expressiva à religião, e hoje, mais do que nunca podemos continuar afirmando isto, quando vemos o número significativo de Paróquias, colégios religiosos, seminários, conventos, e grande parte da população participando ativamente das realizações ligadas à religião.

Segundo o que consta, foram os missionários jesuítas os primeiros religiosos a passarem pelos Campos Gerais. Conforme documentação existente no Arquivo Público de São Paulo, eles teriam chegado à Paranaguá em 1704. Provavelmente já em 1707 teriam alcançado o primeiro planalto e estariam empenhados em percorrer também o segundo planalto do Paraná. Isto viria corroborar o que havia escrito na Capela de Santa Bárbara do Pitangui, que dizia: "Em 1707 passou pelos Campos Gerais, uma Missão Científica de Jesuítas, que como em todas as demais fazendas fundaram aqui uma pequena igreja. Padres: Antônio da Cruz (1707),  Tomás de Aquino (1716), Vito Antônio (1717), Manoel Amaro (1720), João Gomes (1725), Antônio da Cruz (1732), Estanis1au Cardoso (1735), Francisco Gomes (1739), Manoel Rodrigues (1740), Antônio da Cruz (1741), Caetano Dias (1743), Lourenço de Almeida (1748) e Manoel Martins (1751). É conclusivo que da presente relação quase todos os reitores nos campos da Fazenda do Pitangui, aqui estiveram e celebraram Missa."

Nada há entretanto sobre a data da fundação da tosca Capela dedicada à Santa Bárbara, apenas que ela foi erigida em terras pertencentes ao paulista José Góes de Morais, que havia recebido as mesmas por herança de seu pai, o Capitão mor Pedro Taques de Almeida.Foi José Góes de Morais que doou os Campos do Pitangui à Companhia de Jesus com sede em Paranaguá. Sabe-se que em 1729 já existia ali um oratório, e mais tarde o pequeno templo foi construído por José Tavares de Siqueira. É portanto a igreja mais antiga de nossa região. Livros antigos atestam o registro de duas mil, setecentas e sessenta e três confissões, 2.424 batizados, dez léguas de terras incultas, vários currais, 2.030 cabeças de gado, 1020 cavalos. Num desses livros uma data é parcialmente legíve1: 1757.

Os Jesuítas edificaram a redução, cercada de muros de pedras, dos quais só existe hoje ruínas encontradas em certos trechos do campo. Da casa principal dos missionários das senzalas e das cocheiras, nada mais existe. Somente o pequeno templo, hoje restaurado de maneira descuidada, sem seguir o estilo da época, perdeu quase que totalmente seu valor histórico. Pouco antes desta "restauração", podiam ser apreciadas as quatro paredes feitas de pedras e de espessura razoável. O telhado já não era mais o original. Para se entrar na Capela de Santa Bárbara, subiam-se alguns degraus de pedras já bastante gastas pelo uso. O interior era muito simples, paredes nuas, partidas em vários lugares com uma única janela do lado esquerdo perto do altar. Desse lado havia um pequeno púlpito de madeira, com uma pequena escada. Sobre o altar encontrava-se a imagem em argila da Santa. Esta tinha sobre a fronte uma coroa de prata com algumas pedras coloridas. Existiam ainda duas pias batismais de madeira, um turíbulo de bronze e um pequeno sino pesando aproximadamente dez quilos.

Havia apenas uma porta de entrada voltada para o sul. Sobre esta porta teria existido uma placa de madeira com inscrições a fogo, com os nomes de alguns missionários que por aqui passaram, conforme relação já apresentada. Junto à Capela havia um cemitério, e nele se faziam enterramentos ainda no fim do século passado.

Escavações feitas por curiosos, à procura de um hipotético tesouro enterrado pelos Jesuítas quando tiveram que partir, por ordem do governo, arruinaram mais ainda a Capela e seus arredores. Com a expulsão dos Jesuítas do Brasil, por ordem do Marquês de Pombal, passou o local para as mãos da Diocese de 'São Paulo, que encarregou os Monges da Ordem de São Bento, da cidade de Santos, de promoverem os cuidados às propriedades do Pitangui.

Mais tarde estas foram leiloadas, sendo adquiridas por particulares.

Um dos donos foi Benedito Mariano Ribas. Enquanto foi proprietário promoveu sempre os cuidados necessários à Capela. Foi retocada; os muros de pedra, a madeira do teto, achavam-se em bom estado. Quando passou mais tarde para as mãos de outros proprietários, estes cuidados muitas vezes faltaram e então tudo começou a estragar.

1.1.1. A Matriz de Sant' Ana de Ponta Grossa

Construída em data posterior a 1823, quando os antigos moradores, que não estavam satisfeitos com o local dos cultos re1igiosos na "Casa da Telha", antigo abrigo dos tropeiros, junto ao Lajeado Grande no caminho para Castro, por não ser apropriado, reuniram-se e deliberaram escolher a colina mais altaneira junto ao caminho das tropas, terreno este que havia pertencido à Quitéria Maria, esposa de José Antônio de Oliveira, e que após sua morte seus herdeiros venderam suas partes e mudaram-se para Passo Fundo, nas terras do Rio Grande do Sul. A parte destas terras que correspondia ao local escolhido para a ereção da Capela de Sant'Ana, fora comprado por Miguel Ferreira da Rocha Carvalhais, dono da fazenda Bom Sucesso e de toda a invernada da Boa Vista, e que doou o lugar para a construção  do pequeno templo religioso.

A tosca capelinha de madeira e estuque foi construída por Jerônimo Vieira, com um altar singelo onde ficava a pequena imagem de Sant'Ana. O primeiro Vigário Encomendado foi o Padre José Pereira da Fonseca, que esteve à frente da Paróquia desde 1825, já como Vigário Permanente, até 1837. Muitos anos depôs, por volta de 1863, a pequena igreja foi ampliada. Quando da visita de D. Lino Deodato Rodrigues de Carva1ho, Bispo Diocesano de São Paulo e do Conselho de S.M. o Imperador, que esteve aqui em sua visita pastoral, em 22 de abril de 1882, fez comentários escritos em livros do arquivo da igreja, podendo-se deduzir que o prédio da Matriz de Sant'Ana não era muito grande, mas de bom tamanho, bem construído, e correspondia ao movimento da população. Não haviam sido construídas as torres e nem os corredores laterais, e o prédio assim, parecia um pouco baixo.

Em seu interior havia além do altar-mor, mais dois altares laterais, um dedicado a São Pedro e o outro a Santo Antônio de Pádua. O retábulo da Capela-mor e seus dois altares não tinham relevos, nem frisos, e segundo as palavras de D. Lino Deodato, "necessitavam de urgentes retoques e melhoramentos". A imagem de Sant'Ana era pequena e portanto não condizia com a importância da Paróquia, motivo pelo qual D. Maria Joana Ribas encomendou uma imagem maior e mais perfeita, em Portugal, e que aqui chegou em 29 de Julho de 1884. A pia batismal era de mármore branca de bom tamanho e trabalhada com perfeição, estava colocada em um ângulo da igreja, debaixo do coro, por falta de capela própria.

Segundo o que se deduz dos livros antigos existentes no arquivo da Casa Paroquial de Sant'Ana, havia um cemitério junto à Matriz, pois os livros de óbitos se referem a enterramentos aí efetuados. Este deveria estar situado ao lado, nos terrenos hoje cortados pela rua Sant' Ana e onde fica o prédio da Casa da Criança Sant'Ana, pois quando da sua construção os pedreiros ao fazerem aí as escavações para os alicerces encontraram assadas e restos de urnas funerárias. Este cemitério deve ter sido pouco usado, pois ficava num terreno em declive, para os lados da Ronda, e por ocasião das chuvas fortes as enxurradas, às vezes, levavam de roldão sepulturas morro abaixo. Nos livros de óbitos verifica-se que o maior número de pessoas aí enterradas eram de pretos escravos.

Depois do Padre José Pereira da Fonseca, chegou a Ponta Grossa o novo Vigário, Padre Anacleto Dias Batista, que aqui permaneceu até 1880. Teve vários coadjutores como o padre Manuel Cabera, Antônio Piña Vasconcelos e outros. O Padre Anacleto Dias Batista era muito benquisto pela população local, era um grande organista; gostava muito de música.

Em 1840 o patrimônio eclesiástico da Freguesia foi aumentado com a doação das terras conhecidas como o "Rincão da Ronda", feita pela família de Domingos Ferreira Pinto. Esta doação viria a ser contestada, por volta de 1865, por alguns políticos do Município, mas num memorial o Dr. Joaquim Ferreira Pinto, Juiz de Direito confirmava a doação feita por seus antepassados à Padroeira da cidade. Assim mesmo a questão se arrastou por muitos anos, embora em todas as ocasiões o Poder Judiciário desse ganho de causa à parte religiosa, e só no nosso século a questão foi resolvida.

Em 26 de agosto de 1865, através de um Oficio Circular, as autoridades da Província comunicavam a invasão do Brasil por tropas paraguaias, e pedia ao Vigário Anacleto Dias Batista que alertasse os paroquianos para o dever dos cidadãos defenderem a sua pátria. Os nomes dos voluntários seriam afixados à porta da Igreja Matriz de Sant'Ana, e seriam lidos pelo Vigário após os sermões nas missas dos domingos.

No dia 11 de janeiro de 1866, os Vereadores da Câmara Municipal comunicaram ao Padre Anacleto Dias Batista, que em virtude da parede leste da Igreja Matriz achar-se quase arruinada, com perigo de vir a ruir, a Câmara havia deliberado promover o auxílio necessário para as obras da reconstrução e aumento da referida igreja. Foi nesta ocasião também que os políticos resolveram construir um novo cemitério, mas fizeram isso sem que o Vigário tivesse conhecimento.

Em 1881 assume a Paróquia de Sant' Ana como seu Vigário, o Padre  João Evangelista Braga. Teve como Coadjutor, o Padre João Batista Scarpetti. Em 1882 torna-se Vigário, o Padre Donato Rofrano. Foi neste ano que Ponta Grossa recebeu a visita do Bispo Diocesano de São Paulo, D. Lino Deodato, que foi recepcionado na sua  chegada no Pátio do Rosário, com grandes festas, no dia 13 de abril de 1882. No dia 16, às 11 horas o Bispo entrou solenemente na Igreja Matriz de Sant' Ana, quando foi rezado solene Te Deum. O discurso sacro foi feito pelo Padre Célio Cezar da Cunha, Vigário da Paróquia de Serra Azul. Durante esta visita, que durou alguns dias, foram confirmadas 1.240 pessoas.

D. Lino Deodato visitou as Capelas do Rosário, de São João Batista, de São Sebastião, de Santa Bárbara do Pitangui. Fez comentários sobre os cemitérios: da Paróquia, ou Municipal, o de São João, mais antigo da cidade, junto à Capela do mesmo nome; cemitério de Santa Bárbara do Pitangui; cemitério do Barro de Itaiacoca, distante desta cidade cinco léguas mais ou menos; o do Bairro dos Carrapatos (Guaragi), a três léguas; todos eles supervisionados pelos responsáveis da Paróquia Sant'Ana. Comentou sobre os cuidados que deveriam ser tomados com estes cemitérios.

O Bispo Diocesano de São Paulo partiu para sua Diocese se a 3 de junho, antes porém, a 29 de maio, visitou Castro. Nesta época nossa Paróquia ainda dependia da Diocese de São Paulo, como podemos notar pela importância e aparato da visita do ilustre Bispo D. Lino Deodato.

Em 1888, o Padre Joaquim Narvásio, assume a Paróquia como Vigário Interino. Rezou missa em regozijo pela libertação dos escravos. Em 1889 chega o Vigário Matheus Francisco Bonato. Foi ele que esteve à frente de todas as comemorações que a Paróquia realizou em regozijo pela proclamação da República. É este o Vigário que teve de tomar muitas vezes enérgicas medidas para coibir certos abusos que se verificavam na região em virtude da Revolução Federalista, começada em 1893. Demonstrou sempre muita coragem e altruísmo, principalmente quando a maioria das pessoas importantes de nossa cidade achava-se a favor dos revolucionários, e o Vigário sentia a necessidade de defender o governo, que afinal estava com a razão, nesta ocasião. Podemos imaginar as imensas dificuldades que o Padre Matheus Francisco Bonatto deve ter tido, mas sempre se saiu bem, ao lado do direito e da justiça.

Em 1891 assume a Paróquia, o Vigário Manoel Geraldo de Souza, que aqui permanece pouco tempo, sendo logo substituído pelo Padre João Batista de Oliveira. Nesta ocasião percebemos pelos documentos antigos que nossa Paróquia passa a pertencer à Diocese de Curitiba, desvinculando-se da de São Paulo.  Padre João Batista de Oliveira teve inúmeros coadjutores; padres: Antônio Rymer, Salvador Zorgno, Luís Berger, José Dillinger. O Vigário era muito autoritário, e nem sempre esteve em boa paz com o Bispo D. José Barros Camargo de Curitiba, que em certa ocasião o admoestou, aconselhando-o a ter mais paciência e humildade.

Em 1903, o novo Vigário é o Padre Cyrillo Methodio. Em 1906 torna-se Vigário da Paróquia de Sant'Ana, o Padre João Lux, da S.V.D., congregação que havia chegado este ano em nossa cidade. Até esta data os Vigários haviam sido seculares, e agora de 1906 até 1924, são os padres religiosos da Congregação da Sociedade do Verbo Divino, que irão dirigir os trabalhos da Paróquia. Em 1909, o Padre Frederico Hellembroeck, substitue o Padre João Lux, à frente da Paróquia de Sant'Ana. Como coadjutor trabalhava o Padre Guilherme Maria Miletzek. Em 1920 assume a Paróquia o Padre Rodolfo Kugelmeier.

Em meados de 1923, o Padre Martinho Weber passou a dirigir a Paróquia de Sant'Ana. Foi ele que esteve à frente dos festejos do Centenário da Criação da Freguesia de Ponta Grossa, a 23 de setembro de 1823. Como a fundação da Paróquia também festejava os 100 anos, é claro que, sendo duplas as comemorações, as festas tinham que ser as mais brilhantes. De fato, os comentários na região e até em outros Estados eram bastante significativos, pelo entusiasmo que o povo demonstrou com o programa desenrolado. O Padre Martinho Weber era muito dinâmico e empreendedor. A estas suas qualidades talvez se prendessem também uma das causas da escolha  da nossa cidade para sediar a nova Diocese do Paraná, criada em 1926.

Não podemos deixar de nos referirmos também as comemorações anuais da festa da Padroeira, no dia 26 de julho. Eram celebradas com muita pompa, e Ponta Grossa nesta ocasião recebia muitos visitantes que vinham dos municípios vizinhos. Era também comum a vinda de grandes pregadores para as novenas, e a Igreja Matriz tornava-se pequena para tanta gente. Já então nossa igreja havia sido totalmente reconstruída, pelo arquiteto italiano Nicolau Ferigotti. Apresentava um aspecto imponente, dominando do alto toda a cidade. É em estilo românico, suas torres não foram construídas; mesmo assim suas linhas externas são de uma beleza simples que impressiona. Quando pintada de branco, ou marfim, externamente parece feita de mármore. O portal do centro é ladeado por colunas de estilo dórico, e é encimado por uma rosácea de vitrais. Duas estátuas de pedra ladeiam as colunas. O interior é sóbrio. O altar-mór todo em madeira entalhada, impressiona pela beleza de detalhes. Bancos de madeira alinham-se pela nave que anteriormente era assoalhada, hoje, tem piso de cerâmica.

A Capela principal é imponente, lembrando vagamente, quando olhamos para cima a cúpula, em tamanho bem menor, de São Pedro, em Roma. Ao longo das paredes há quadros em cerâmica pintada, representando a Via Sacra. O teto arredondado, antigamente era pintado, imitando afrescos.

Ao lado da altaneira Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus, na Praça Barão de Guaraúna, existia tosca Capelinha sob a invocação de São João Batista. Desconhece-se a data de sua fundação. Entretanto deve ser bem antiga, uma vez que o cemitério São João, que existiu ao lado, havia sido fundado em 1811. Se a Capela foi fundada ao mesmo tempo que o cemitério ela então seria a segunda mais antiga da nossa região.

Ficava situada num dos extremos da Freguesia. Suas paredes eram de taipa, desprovida de forro e de assoalho. Altar singelo, de madeira. Talvez tivesse servido desde o princípio apenas a encomendação dos defuntos que eram enterrados no cemitério ao lado. Este, seguramente era o mais antigo da cidade. Ocupava uma área bastante ampla, que ia dos lados aos fundos da Capela (mais ou menos parte da hoje Praça Barão de Guaraúna, av. Machado até onde se localiza a loja João Vargas de Oliveira, e estendia-se até a atual rua Balduíno Taques). Foi o mais utilizado da Freguesia, Vila e cidade de Ponta Grossa.

Por volta de 1865, moradores mais importantes resolveram com os Camaristas do governo da cidade construir um novo cemitério, porque no de São João os lugares mais bem localizados já estavam ocupados e como mesmo na morte, não desaparece a mania de ostentação dos vivos, resolveram construir bem distante do centro da cidade (atual cemitério São José), sem consultar o Vigário, o que foi uma falha muito grande, pois às autoridades eclesiásticas competia a questão de cemitérios e enterramentos, conforme o que dizia a Carta outorgada de 1824, nas suas disposições com respeito ao clero brasileiro.

Não é de estranhar que alguns anos depois o Vigário João Evangelista Braga, logo ao assumir a Paróquia de Sant'Ana interpelasse a Câmara Municipal sobre o Cemitério, e sobre os enterros que nele eram realizados. Nesta época os camaristas José Joaquim Ferreira Branco, Francisco Teixeira Alves, Joaquim Antônio dos Santos Ribas, João da Rocha Bah1s, João Batista Lustoza Ribas e José da Costa Rodrigues Guimarães, mostraram-se pouco propensos a um entendimento, e só alguns anos depois é que com a renovação de alguns cargos políticos é que se permitiu a ereção de uma cruz de madeira no novo cemitério e bênção com a denominação de São José.

Já então havia muitas pessoas nele enterradas e nos terrenos da frente haviam sido construídos alguns túmulos de mármore branco muito ricos. Somente em 1890, no governo do Major Manoel  Vicente Bitencourt, é que o velho cemitério de São João foi arrasado. O excesso da terra ali retirada foi utilizada para fechar as barrocas do largo do Rosário. Já há muito a Capela de São João estava em ruínas e sua demolição foi permitida por D. Lino Deodato, com a condição de que o material não fosse aproveitado para fins profanos, a não ser na construção de outra igreja, mosteiros, etc...

Uma nova igreja foi construída no lugar da pequena Capela. Foi a colônia polonesa aqui radicada que, com a ajuda do padre coadjutor Antônio Rymer, da Paróquia de Sant’Ana, conseguiram com grandes sacrifícios a construção do novo templo, em 1897. Já com a denominação de Igreja do Sagrado Coração de Jesus, a nova igreja serviu durante alguns à comunidade pontagrossense. Em meados de 1920, a sociedade polonesa colabora com o padre Roberto Bonk na construção de novo templo mais à direita do anterior. Totalmente construído no estilo gótico, é uma das mais belas igrejas da cidade.

Durante muitos anos esteve externamente inacabada, com suas paredes de tijolos à vista. Há pouco tempo foi concluído, mas o estilo original foi muito prejudicado. Felizmente a parte interna conserva a beleza dos arcobotantes das janelas em ogivas e, com a porta e o coro todo em madeira entalhada, verdadeira obra de arte de alguns artistas desconhecidos.

1.1.3. Igreja de Nossa Senhora do Rosário

Os moradores antigos, desejosos de venerar Nossa Senhora do Rosário, conseguiram do Episcopado da Província de São Paulo, a Provisão de licença para a construção do templo, dedicado a Nossa Senhora do Rosário, a 5 de junho de 1852.

A capela em estilo colonial jesuítico, pequena, com duas torres, foi construída de frente para o largo do Chafariz, depois Largo do Rosário (hoje Praça Barão do Rio Branco). A princípio suas paredes toscas foram feitas de estuque, mais tarde, reconstruídas em pedra e cal, de maneira a suportar as paredes internas e demais partes do edifício. Um único altar, uma imagem da padroeira, e outra de São João, ambas pequenas, e alguns poucos objetos para os atos de cultos.

No final do século encontrava-se bastante arruinada, com a chuva penetrando teto a dentro, paredes rachadas e as torres ameaçando cair. Já no nosso século, nenhum melhoramento foi feito na igrejinha e numa noite um grande estrondo se ouviu na cidade. No dia seguinte os moradores constataram ter sido a torre do lado esquerdo que havia ruído, e durante muito tempo a pequena igreja permaneceu com uma torre só. Apenas na década de 1940 resolveu-se demolir o antigo templo, e em seu lugar foi construído o atual, concluído em 31 de janeiro de 1942, quando foi criada a Paróquia de Nossa Senhora do Rosário.

É em estilo romântico, duas imponentes torres, interior sóbrio, com belíssimas pinturas decorando as paredes da capela do altar-mór, e nas paredes laterais quadros da Via Sacra em mosaicos.

1.1.4. Igreja de São Sebastião

Antiga Capela de São Sebastião, pequena, distante dois quilômetros do centro da cidade em terrenos da chácara do Ten. Cel. Generoso Martins de Araújo e de sua esposa dona Maria Magdalena Martins, que com o auxilio de fiéis procederam a execução das obras existentes. Data provavelmente de pouco tempo antes de 29 de maio de 1882, quando foi visitada pelo Bispo D. Lino Deodato em sua visita pastoral à nossa cidade, e que procedeu a bênção da mesma Capela, falando a inúmeros fiéis e crismando cerca de 92 pessoas. Nesta ocasião a Capela foi prometida em doação ao patrimônio canônico pelos fundadores. Em 1935, passou a pertencer à Paróquia de São José, fundada nesta época.

Fundada a 8 de janeiro de 1888, no mesmo lugar do atual templo, com o nome de Capela do Divino Espírito Santo. É entretanto, desde esta época conhecida como Igreja de São Vendelino. Por volta de 1880, os colonos russo-alemães residentes nas Colônias Dona Luíza e Pelado, arredores de Ponta Grossa, tinham especial devoção por São Vendelino, patrono dos lavradores e criadores de gado, e pretendiam, construir uma Capela a este santo, próxima das Colônias, uma vez que as outras igrejas existentes neste tempo, ficavam distantes e era difícil o acesso a elas.

A antiga Capela foi abençoada num domingo de outubro de 1884, precisamente no dia de São Vendelino. Era costume, na festa do Santo fazerem uma procissão, aberta por um cortejo de homens a cavalo. A imagem do Santo, solenemente transportada numa carroça, magnificamente ornamentada, puxada por 2 ou 4 cavalos. A atual igreja foi concluída em 23 de outubro de 1949, sendo elevada à categoria de Paróquia  em 17 de fevereiro de 1959.

Fundada em 1924, para atender os moradores do bairro de Uvaranas, principalmente à colônia italiana ali radicada. Foi construída em terreno doado por Dona Ana Rita Guimarães, e passou a pertencer à Paróquia de Sant'Ana. Foi elevada à categoria de Paróquia em 29 de maio de 1955. Situa-se à Avenida Carlos Cavalcanti, início do bairro de Uvaranas.

2. Instituições Religiosas dos Primeiros Tempos

Em princípios de 1905 chegaram a Ponta Grossa. as religiosas da Congregação das Servas do Espírito Santo. Congregação essa fundada pelo Padre Arnaldo Jansen, em Steyl, Holanda. A maioria das irmãs, 5 ao todo, que aqui chegaram, eram de origem alemã. Vinham para fundar um Colégio em Ponta Grossa. Instalaram-se numa casa da esquina do Pátio do Rosário (hoje praça Barão do Rio Branco). A 17 de março começaram as suas atividades.

Ensinavam Educação Doméstica, Música (piano) e disciplinas do curso primário.

A princípio foram olhadas com reservas pela população local e em certos momentos até hostilizadas. Pessoas maldosas apedrejavam durante a noite a casa das Irmãs. Mas o altruísmo e a fé venceram e elas acabaram sendo aceitas na Comunidade. Mudaram-se depois para um casarão que mandaram construir à rua Cel. Cláudio (onde é atualmente a Casa Íris), e aí ampliaram suas atividades. Já então possuíam muitas alunas inclusive algumas de outras cidades. Passaram a manter um internato. Alguns anos depois mandaram construir majestoso edifício na esquina das ruas do Rosário com Bonifácio Vilela, (hoje Colégio Diocesano São Luiz) e ali mantiveram durante muitos anos o tradicional Colégio Sant'Ana. Somente na década de 50 mudaram-se para o prédio onde ainda se encontram até o momento.

As Servas do Espírito Santo, por terem sido as primeiras religiosas a chegarem a nossa cidade, foram verdadeiras pioneiras no setor educacional de escola e a sociedade muito deve a estas abnegadas religiosas. Em meados de 1906 chegaram os religiosos da Sociedade do Verbo Divino, cujo fundador foi o padre Arnaldo Jansen, em Steyl, Holanda. Os padres da congregação que acabavam de chegar passaram a se encarregar dos serviços religiosos da Paróquia de Sant' Ana, dos Cultos nas Capelas do Rosário; do Divino Espírito Santo, na Colônia do Pelado; do Divino Espírito Santo, em Limeira, Distrito de Entre Rios: na Capela da Colônia de Tavares Bastos; na Capela de São Sebastião, da Vila de Conchas; na Capela do Bom Jesus, em Passo do Pupo; na Capela de Santo Antônio, em Cerrado; na Capela dos Polacos  (antiga São João) na cidade; na Capela de N. Senhora da LuZ, nos Carrapatos (depois Guaragí); na Capela da Casa das religiosas Servas do Espírito Santo, na cidade; na Capela do Hospital da Estrada de Ferro, nesta cidade; na Capela da Santa Casa de Misericórdia, desta cidade, Capela de N. S. Imaculada Conceição, de Uvaranas: Capela do Senhor Bom Jesus, em Pinheirinho; Capela de Santo Antônio, em Guaraúna; Capela de São Sebastião, em Faxinal; Capela de São João dos Pobre, e, Nossa Senhora de Laguna, em União da Vitória; Capela de Santa Bárbara do Pitanguí; Capela de São Sebastião, na Chácara Magdalena; Capela de N. S. da Conceição d'Aparecida, em Restinga do Cupim dos Olhos d'Água; Capela N. S. da Conceição, em Teixeira Soares; Capela de São Sebastião,  em Guabiroba; Capela N. Senhora da Luz,  em Itaiacoca.

Dentre os padres S. V.D. que se destacaram à frente da Paróquia de Sant'Ana, estão: Padre João Lux, Frederico Hellembroeck, Guilherme Miletzek, Henrique Niewind, Francisco Mehl, Germano Berwind, Martinho Weber, e outros.

Inauguraram, logo ao chegar o Colégio São Luiz (1906 - prédio onde se localiza atualmente o Colégio Sant'Ana). Aí durante muitos anos dedicaram--se a educar e formar a juventude pontagrossense em estudos de nível primário. Fundaram mais tarde o Seminário do Verbo Divino, na Colônia Dona Luíza. Destacaram-se como grandes professores neste Colégio os Padres: João Lux, e muitos anos mais tarde o Padre Jorge Braun.

A 26 de outubro de 1906 era fundada em Ponta Grossa o Hospital da Estrada de Ferro São Paulo - Rio Grande. Em 7 de abril de 1909, a Provisão do Bispo Diocesano D. João Braga, de Curitiba, concedia licença para ser inaugurada uma Capela no referido Hospital, juntamente com a permissão da instalação das Irmãs de São José, para superintenderem os serviços gerais do hospital dos ferroviários. As primeiras freiras da Congregação de São José que aqui chegaram foram Madre Calixta Duc, Irmãs Blandina Orsi e Matilde Durigan. Eram médicos do novo hospital os doutores Francisco Búrzio e Joaquim Loyola.

Em 31 de julho de 1908 foi lançada a pedra fundamental da Santa Casa de Misericórdia, em nossa cidade. O hospital só ficou pronto em 1912 quando foi inaugurado. Os serviços gerais foram entregues às Irmãs  da Congregação de São José, tendo à frente a Irmã Calixta, auxiliada pelas irmãs Maria dos Anjos, Blandina, Edwiges e Clara. O serviço médico era chefiado pelo ilustre cirurgião Dr. Francisco Búrzio. O primeiro Provedor do Hospital Santa Casa de Misericórdia foi o senhor Amantino Antunes, abnegado cidadão que muito fez para que a Santa Casa, a partir de 1913, cumprisse totalmente as suas fina1idades.

Já no ano da criação da nossa Diocese, era fundado em 26 de setembro de 1926, pela Associação das Damas de Caridade e pela Sociedade São Vicente de Paulo, então representadas pelo Conselho Particular de Sant'Ana e supervisionado pelo então Vigário da Paróquia de Sant'Ana, Padre Martinho Weber, SVD., o ASILO SÃO VICENTE DE PAULA, organização de direito privado, com sede em nossa cidade à Rua Júlio de Castilhos, nº 1104. Era uma instituição , como é até hoje, de caridade e de utilidade pública, mantida por sócios contribuintes, por sua fábrica de vassouras e escovas, por alguns aluguéis de casas de sua propriedade e pelas conferências vicentinas com finalidades lucrativas. Sua finalidade sempre foi abrigar e amparar a velhice desprotegida e pessoas inválidas sem distinção de cor, sexo, nacionalidade ou religião, com idade mínima de 18 anos completos.

 

CAPELA SANTA BARBARA  - 1ª. Capela da Região.

 1ª. Igreja da História na Evangelização da Diocese de Ponta Grossa. Segundo o que consta. Foram os missionários jesuítas os primeiros religiosos a passarem pelos Campos Gerais. Segundo dados do Arquivo Público de São Paulo, eles teriam chegado à Paranaguá em 1704, e nesta região por volta de 1707.

“Em 1707 passou pelos Campos Gerais, uma Missão Científica de Jesuítas, que como em todas as demais fazendas fundaram aqui uma pequena igreja”. Nada há entretanto sobre a data da fundação da tosca Capela dedicada à Santa Bárbara, apenas que foi erigida em terras pertencentes ao paulista José Góes de Morais, que havia recebido as mesmas por herança de seu pai, o Capitão mor Pedro Taques de Almeida. Foi José Góes de Morais que doou os Campos do Pitangui à Companhia de Jesus com sede em Paranaguá. Sabe-se que em 1729 já existia ali um oratório, e mais tarde o pequeno templo foi construído por José Tavares de Siqueira. É, portanto a Igreja mais antiga da nossa região.
Livros antigos atestam o registro de duas mil, setecentos e sessenta e três confissões, 2.424 batizados, dez léguas de terras incultas, vários currais, 2.030 cabeças de gado, 1020 cavalos. Num deste livros uma data é parcialmente legível: 1757.
Foi no tempo das reduções dos jesuítas. Daquele tempo resta a Capela de Santa Bárbara, hoje restaurada.
Antes da “restauração”, podiam ser apreciadas:
  • Quatro paredes feitas de pedras e de espessura razoável.
  • Para entrar na Capela de Santa Bárbara, subiam-se alguns degraus de pedras já bastante gastas pelo uso.
  • Interior era muito simples, paredes nuas, partidas em vários lugares com uma única janela do lado esquerdo do altar. Desse lado havia um pequeno púlpito de madeira, com uma pequena escada.
  • Sobre o altar encontrava-se a imagem em argila da Santa. A imagem da Santa tinha sobre a fronte uma coroa de prata com algumas pedras coloridas. Existiam duas pias batismais de madeira, um turíbulo de bronze e um pequeno sino pesando aproximadamente dez quilos. Havia apenas uma porta de entrada voltada para o sul.
  • Sobre a porta teria existido uma placa de madeira com inscrições em fogo, como os nomes de alguns missionários que por aqui passaram: Padres: Antonio da Cruz – 1707; Tomás de Aquino – 1716; Vito Antônio – 1717; Manoel Amaro – 1720; João Gomes – 1725; Antônio da Cruz – 1732; Estanislau Cardoso – 1735; Francisco Gomes – 1739 e Manoel Rodrigues – 1740.
  • Junto à Capela havia um cemitério, onde se fazia enterros.
  • Com a expulsão dos Jesuítas do Brasil, por ordem do Marquês de Pombal, passou o local para as mãos da Diocese de São Paulo, que encarregou os Monges da Ordem de São Bento – Beneditinos, da cidade de Santos, de promoverem os cuidados às propriedades do Pitanguí.
  • Mais tarde estas foram leiloadas, sendo adquiridas por particulares.
  • Um dos donos foi Benedito Mariano Ribas – que promoveu os cuidados necessários à Capela.
  • Com certeza a Capela Santa Bárbara foi um local de encontro das famílias, dos tropeiros, de índios e moradores da região dos campos gerais, onde recebiam os sacramentos e formação.
  • Atualmente a propriedade pertence à Família Carraro e foi o 1º. Imóvel tombado pelo COMPAC – ABRIL DE 2003.
  • A Capela Santa Bárbara, é um dos marcos históricos da evangelização dos Campos Gerais e da Diocese de Ponta Grossa. Foi nesta capela e lugar que tudo começou. Os jesuítas trabalhavam no ensino da religião – catequeses, na cultura e no ensino de técnicas da pecuária e agricultura. As Capelas eram locais de culto, de ensino, e de intercâmbio sócio-cultural da época. Entrava na rota comercial da época – presença dos Tropeiros. 
 
Oração à Santa Bárbara
 
 
Ó Santa Bárbara, que sois mais forte que as torres das fortalezas e a violência dos furacões, fazei com que os raios não me atinjam, os trovões não me assustem e o troar dos canhões não me abalem a coragem e a bravura. Ficai sempre a meu lado para que eu possa enfrentar, de fronte erguida e rosto sereno, todas as tempestades e batalhas de minha vida: (fazer o pedido) para que, vencedor de todas as lutas, com a consciência do dever cumprido, possa agradecer a vós, minha protetora e render Graças à Deus, criador do céu, da Terra, da Natureza; este Deus que tem poder de dominar o furor das tempestades e abrandar a crueldade das guerras. Amém. Santa Bárbara, rogai por nós.
 
                            Rezar 3 Pai Nossos, 3 Ave Marias e 3 Glórias ao Pai.
 
                           Santa Bárbara rogai por nós !
 
  
 
        CONTATO PARA AGENDAR VISITAS E PEREGRINAÇÕES
 
           FAMÍLIA CARRARO - PONTA GROSSA – PARANÁ
 
           Local: Estrada sentido Alagados e depois segue a estrada sentido.            
                      Cachoeira do Rio São Jorge seguindo sempre em frente.
 
 
Imagens da Capela Santa Bárbara

 

 

  • Imagens Antigas da Religiosidade

Catedral Sant`Ana - Igreja Antiga.

 

Procissão N.S. Sant`Ana - P. Grossa - 1937.

 

ATUALMENTE - VÍDEO

http://www.pontagrossa.pr.gov.br/turismo  - Video Promocional do Turismo  de  Ponta Grossa - Secretaria Municipal do Turismo.

 

Inserido: Pe. Ademir. 

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