DIOCESE  DE  PONTA  GROSSA


SOBRE
   História
   Fundação
   Bula Pontifícia


ESTRUTURA
   Colégio Consultores
   Conselho Presbiteral
   Seminários Diocesanos
   Casas para Encontros

PASTORAL SOCIAL


     “Evangelizar é fazer o que Jesus fez: por palavras e ações expressar o amor misericordioso e compassivo de Deus, em especial para com os pequenos, pobres, necessitados e esquecidos. Com esse olhar somos convidados a ser anunciadores da vida de Jesus junto a todas as pessoas empobrecidas e necessitas, através de ações concretas, emergenciais e no desenvolvimento de projetos sociais.

     A Diocese de Ponta Grossa em suas paróquias tem várias ações assistenciais de ajuda às pessoas carentes em situação emergencial e empobrecidas. Há a presença de várias pastorais diocesanas que atuam na linha social desde a fase da criança até a pessoa idosa. Há também várias estruturas ligadas às Associações Católicas ou à Congregações Religiosas de apoio e de desenvolvimento de projetos sociais de resgate do valor do ser humano e da cidadania.

     A Pastoral Social Diocesana esta buscando a articulação de todas as Pastorais e Movimentos presentes na Diocese que atuam na linha social da evangelização para ação conjunta, organizada e participativa.

     Podemos de forma genérica dizer que a Pastoral Social é a dimensão social da fé. A caminhada da Pastoral Social a nível diocesano começou em 2008 organizada pelo coordenador da Ação Evangelizadora Pe. Mario Dwulatka, tendo como Assessor Diocesano o Diácono Permanente Alfredo Assad Neto e na Coordenação o Diácono Permanente Paulo Sérgio Ferreira da Silva.

     É de salientar que a Pastoral Social atua sempre em comunhão com o Mutirão de Superação da Fome e da Miséria e com a Cáritas Diocesana. A partir de 2010 a Pastoral Social foi assumida pela Cáritas Diocesana com a assessoria do Diácono Alfredo Assad Neto.


Assembléia de Revisão da Ação Evangelizadora – 2009
Mutirão para superação da miséria e da fome – Propostas para as Paróquias e Diocese.

1 – Incentivar projetos já existentes para despertar as famílias a solidariedade na dimensão social, utilizando parte dos recursos do dizimo para essa finalidade.
2 – Divulgar os trabalhos já realizados, a exemplo do que é feito pela Conf. Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
3 – Organizar equipes para encaminhar os projetos para a Cáritas Diocesana de Ponta Grossa (CDPG).
4 – Conscientizar toda a comunidade (pastorais e movimentos) para a necessidade de estruturar a Pastoral Social e valorizá-la onde ela já existe, de modo que seus integrantes possam coordenar os trabalhos de promoção humana nas paróquias.


Aprofundamento – “A dimensão social da Evangelização”

O desenvolvimento é a maior questão social hoje.

Pe. Bernard LESTIENNE SJ
     Há diferentes possíveis enfoques para considerar a dimensão social da Evangelização. Seguindo o exemplo de Cristo totalmente doado à construção do Reino do Pai – Reino de paz e justiça – a Igreja sempre quis ajudar os mais necessitados e promover uma sociedade mais justa e fraterna. Com coragem e vigor evangélicos, vários Padres da Igreja, colocaram a justiça e o cuidado dos pobres no centro da sua reflexão teológica e pregação1. Ao longo da historia, santos e doutores defenderam a dignidade e os direitos dos pobres. Houve também muitas omissões e/ou tentativas de calar as vozes e atitudes proféticas.

     A partir de 1891, com a encíclica Rerum Novarum, a Igreja tentou encarar a nova questão social que surge da civilização industrial. Mais recentemente, principalmente a partir da América Latina, a Igreja, no seu empenho evangélico missionário, se comprometeu com novo ardor na defesa dos pobres e promoção da justiça. Entre muitos profetas e mártires, basta nomear figuras como dom Manuel Larrain (Chile), dom Oscar Romero (El Salvador) ou dom Helder Câmara (Brasil). Na sua primeira encíclica, Deus é Amor, o papa Bento XVI integra plenamente a justiça e a atenção aos pobres na vida da caridade.

     A questão social e os desafios que ela representa para a Igreja vão evoluindo conforme as próprias transformações da sociedade. De certa maneira, até o papa João XXIII e o concílio Vaticano II, a Igreja identificou a questão social à questão operária no contexto da industrialização. A luta de classes era considerada como o principal desafio. As perspectivas e horizontes se ampliaram decisivamente a partir de João XXIII. Doravante, todos os documentos da Igreja vão integrar a questão do desenvolvimento e os desafios da pobreza, miséria e das estruturas injustas a nível mundial.

     O desenvolvimento é a questão social maior hoje. Na sociedade internacional, e em particular na ONU, o tema se torna central depois da segunda guerra mundial (1939-1945). Adquirirá um novo ambiente global e novas dimensões depois da caída do bloco soviético (1989). Ainda hoje o desafio do desenvolvimento vai se renovando no contexto do neoliberalismo. A brecha crescente e escandalosa entre a pobreza e miséria duma maioria e a riqueza e o luxo duma minoria é um desafio central e permanente para a Igreja na sua missão de evangelização. Não pode ficar calada e inativa diante das injustiças e dos imensos sofrimentos de muitos homens e mulheres, sob pena de abandonar uma dimensão essencial da sua missão.

     Na Páscoa de 1967, Paulo VI publicou a encíclica “O Desenvolvimento dos Povos”(Populorum Progressio, PP) que foi muito bem acolhida não só na Igreja, mas também nos meios políticos e diplomáticos envolvidos no tema do desenvolvimento. Em 2007,celebraremos os 40 anos da PP, cujas análises e orientações continuam bem atuais, mesmo se novas dimensões e desafios surgiram desde então. O desenvolvimento continua sendo a principal e mais desafiadora questão social. Em 1987, João Paulo II publicou uma outra encíclica sobre o desenvolvimento – A Solicitude Social da Igreja (SRS) para os 20 anos de Populorum Progressio. Haverá em 2007, uma nova encíclica social do papa, para os 40 anos da PP? O desafio é enorme, pois a questão do desenvolvimento é sempre mais complexa, multidimensional e urgente.

     1 Só um exemplo: no século IV, São Gregório de Nissa se dirige aos usurários (hoje tão numerosos): “talvez tu dês esmola, mas de onde as tiras senão de teus assaltos cruéis, do sofrimento, das lágrimas e dos suspiros do povo? Se o pobre soubesse de onde vem a tua esmola, ele a recusaria, porque a sentiria como morder a carne de seu irmão e sugar o sangue de seu companheiro”.

Uma realidade escandalosa
     É difícil escolher estatísticas; são muitas, evoluem e a sua interpretação não é neutra.

Vejamos apenas alguns dados a nível mundial
     Segundo o relatório do PNUD 2004 (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) – uma das melhores fontes de informações econômicas e sociais da ONU – 850 milhões de pessoas passam fome; 5 milhões de crianças morrem cada ano por sub-nutrição. Em 1999, 23,2 % das pessoas viviam na extrema miséria, com menos de 1 dólar por dia, e 55,6% na pobreza, com menos de dois dólares por dia. Mais de 80% da população mundial vivem com apenas 1/5 da renda mundial.2,7 bilhões não têm acesso à água limpa. A globalização fez crescer a desigualdade afirma aONU em parceria com a OIT (Organização Internacional do Trabalho): do início dos anos 60 até 2002, a renda per capita dos 20% mais pobres cresceu 26%, para US$ 267, enquanto a dos 20% mais ricos cresceu de 183%, e foi para US$ 32.339. Infelizmente poderíamos acrescentar dados mostrando que a grande maioria dos investimentos financeiros (e, então, as expectativas de crescimento futuro) vai para os países mais ricos, e para uma minoria de países em desenvolvimento que têm petróleo. “Na África ocorreu a pior tragédia econômica do século XX: em 1970, o continente tinha 10% dos pobres do mundo, e 40% em 2000, enquanto tem apenas 13% da população mundial” observa o secretário geral da ONU. As estatísticas são ‘frias’ e não apresentam as situações concretas dramáticas da vida dos que sofrem. São dados escandalosos que ilustram a situação de subdesenvolvimento no Sul e de ‘mal-desenvolvimento’ no Norte. Há uma estreita articulação entre as duas situações muito contrastadas no Norte e o Sul. As duas realidades são estreitamente articuladas.

Uma espiritualidade fundamentada na fé

- Na encarnação, Deus se fez pobre, solidário dos pobres e de todos.
- Deus continua a criação. O desenvolvimento é participação à ação criativa de Deus.
- Jesus Cristo anuncia e traz um Reino de Paz, justiça e fraternidade. O desenvolvimento cria o berço do Reino de Deus.
- Jesus Cristo traz a vida plena e a libertação da escravidão dos pecados.
- O Espírito de Jesus nos impulsiona, nós os seus seguidores, a construir o seu Reino.
Princípios

- Criado à imagem de Deus, o ser humano não é apenas um ser físico e material; é antes de tudo um ser de desejo, um ser espiritual.
- Daí vem a dignidade irredutível de cada pessoa humana.
- A vocação do ser humano é a vida plena física e espiritual. O homem é chamado à liberdade não só material, mas também social, cultural, moral e espiritual.
- O Desenvolvimento é o caminho da Paz e felicidade. O desenvolvimento é de todos e para todos.
- A humanidade é uma só família, onde todos somos iguais. Em tempo de mundialização, os povos e pessoas se tornam ainda mais próximos. O “próximo é mundial”.
- O desenvolvimento é para o bem de todos, para o Bem comum. Todos, povos e pessoas, – os mais pobres em prioridade – têm direito ao desenvolvimento integral.
- Cabe ao Estado defender e promover a realização do bem comum. Solidariedade e subsidiariedade, como co-responsabilidade e participação de todos, são os dois pilares principais do bem comum.
- Os bens da terra são para todos. A criação é um dom de Deus para que cada pessoa.

Dimensões do Desenvolvimento numa perspectiva ética-cristã

- O Desenvolvimento não é só econômico, mas é um projeto social, político, cultural, moral e espiritual.
- O verdadeiro desenvolvimento é o desenvolvimento integral do homem, de todas as suas faculdades, e de todos os homens.
- O subdesenvolvimento é em grande parte a conseqüência do mal desenvolvimento nos países mais ricos. Há uma falsa identificação entre dinheiro, consumo e desenvolvimento.
- Há um conflito grande entre os valores do o consumismo, materialismo e individualismo, e os valores da solidariedade, das relações humanas e da gratuidade.
- O desenvolvimento autêntico é plural; passa pela promoção e valorização da diversidade e riqueza das culturas.
- Quando humano, o desenvolvimento é dirigido em prioridade aos mais pobres. Eles são os principais sujeitos do seu desenvolvimento. Participação e empoderamento são caminhos essenciais do desenvolvimento.
- A responsabilidade do desenvolvimento é de cada um e de todos. Somos todos co-responsáveis do desenvolvimento de todos.
- O trabalho é uma ferramenta principal do desenvolvimento. O trabalho transforma a pessoa, a sociedade e a criação. O direito ao trabalho é parte do direito ao desenvolvimento.
- As experiências de economia solidária são fundantes na busca de um novo modelo de desenvolvimento para superar os impasses e graves perigos do modelo neoliberal predominante.
- Diante do empobrecimento e da exclusão dum número crescente da população, e da exploração depredadora do planeta, é urgente transformar as visões e as perspectivas do desenvolvimento. Uma prioridade é de promover o consumo responsável e solidário, com o uso moderado dos bens, sem desperdício.

Conclusão
     Os valores e princípios do ESI sobre o desenvolvimento podem parecer bem distantes e contrastadas com os do modelo predominante. E o são mesmo! No entanto, não poucas vezes encontram-se esses valores e visões, nos mais diversos grupos, movimentos e mobilizações que buscam saídas e alternativas ao modelo asfixiante e destrutor promovido pelas forças do dinheiro e do poder-dominação. Há no mundo todo, milhões de iniciativas para construir novas formas mais humanas, solidárias e sustentáveis de desenvolvimento. Basta lembrar aqui a multiplicação dos fóruns sociais nos vários níveis e campos, que proclamam a esperança dum outro mundo possível, ou o projeto, já mencionado, da ONU dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Há muitas formas de generosidade e solidariedade na busca de algo novo.

     No seu inesquecível discurso na sede da ONU, em Nova York, em 1965, Paulo VI qualificou a Igreja de “experta em humanidade”. A Igreja tem uma antiga e ampla experiência teórica e prática sobre os rumos da vida e da paz; ela interpreta e constrói os caminhos da história à luz do Evangelho. Ainda hoje, tanto quanto e mais do que ontem, a Igreja e os cristãos têm algo para dizer sobre o sentido da vida das pessoas e da sociedade, têm ações para fazer para o desenvolvimento integral de cada um e de todos. Essa é uma dimensão central da dimensão social da Evangelização.

Pe. Bernard LESTIENNE SJ
IBRADES, Brasília,

CONTATO
Coordenação: Cáritas Diocesana de Ponta Grossa
Assessor Diocesano: Diácono Alfredo Assad Neto.
Rua: Coronel Dulcídio, 637 - 1 Andar - Sala 7 - Cx. Postal: 1636.
Fone (fax): (42) 3227-6657 / 9106-3698
E-mail: caritaspg@terra.com.br
Ponta Grossa - Pr - CEP:84.010-280


PASTORAIS          





Navegue até a sua Paróquia



Cúria
Cúria
Imprensa
Clipping
Download