DIOCESE  DE  PONTA  GROSSA

       
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Povoamento e Política

   Desde os primeiros tempos do período colonial no Brasil, os governadores gerais adotaram o sistema de conceder sesmarias às pessoas que possuíssem meios para realizar a exploração das terras e fundar engenhos. Por esse motivo é que aqueles que requeriam sesmarias, tinham o cuidado de acrescentar à petição, provas de que eram homens de posses. O pastoreio era uma das formas adotadas para a exploração das terras.

   Vemos através das obras que tratam do assunto, que até os donos de latifúndios açucareiros, eram na maioria das vezes, criadores de gado. Para criar gado eram necessárias grandes somas em dinheiro. Bastava conseguir uma área expressiva de terra, bem localizada com boas vertentes e bons pastos e iniciar a criação. Entregava-se a direção a um capataz que, com a ajuda de alguns peões tocava o negócio para a frente. Na maioria das vezes o dono da sesmaria nunca vinha ver de perto suas terras e criações. Limitava-se a viver como grande senhor, no Rio ou em São Paulo, indo muitas vezes para a Europa em viagens de passeio.

   Era fácil muitas vezes, receber grandes extensões de terras. Bastava ter alguma recomendação de algum potentado ou gozar da amizade dos governadores gerais. Houve casos de gente que recebeu grandes concessões de terras e nunca esteve nelas, nem para visitá-las, muito menos para explorá-las. E assim, o governo colonial, mais tarde, pretendendo evitar estes casos e prevenir futuros dissabores, resolveu regularizar as questões de terras, exigindo as cartas de doação num prazo de seis meses, e provas de que as terras estavam de fato sendo colonizadas.

   Foi grande o número de pessoas irritadas com a nova ordem, mas D. Álvaro da Silveira de Albuquerque, governador do Rio de Janeiro teve o apoio de D. Pedro II, rei de Portugal, que determinou, em carta de 3 de março de 1704, que o caso ficaria desta data, a cargo dos Ouvidores Gerais. Já agora amparado pela Ouvidorias, o governador, a fim de não prejudicar antigos posseiros, fez publicar editais oferecendo terras em sesmarias, principalmente aos paulistas, que andavam contrariados com as novas determinações do governo. Exigia no entanto, que os sesmeiros usassem as terras e construíssem currais, tudo no intuito de desenvolver a pecuária e gradativamente a povoação destes lugares.

   Saindo de Sorocaba, centro comercial fundado desde os fins do primeiro século de colonização, viajantes tomando o rumo do sul, em busca das grandes invernadas de São Pedro do Rio Grande, e das magníficas manadas que ali eram criadas, passavam por lugares, onde hoje se encontram Itapetininga, Itapeva, Jaguariaíva, Castro, Ponta Grossa, Campo Largo, Lapa e Rio Negro.

   Abriram então a estrada de Araranguá, nos flancos da Serra do Mar, desceram até Laguna, onde se encontravam com os viajantes, vindos pelo litoral, da Vila de São Vicente, e juntos, entravam nas vastas campinas gaúchas. Muitos anos depois, outros viajantes, para encurtarem caminho, desviavam Araranguá, e abrem pelo alto da Serra, na estrada de Lages e através do rio das Canoas e Pelotas, uma outra estrada que vai passar pelos campos de Vacaria e de Viamão, que os levaria ao Vale do Guaíba, à Lagoa dos Patos, Mirim, e aos pampas platinas.

   Ao voltarem, seguindo o mesmo percurso, traziam tropas de cavalos, bois, muares, que negociavam nas regiões por eles visitadas ou então em Sorocaba. Ao passarem pelos Campos Gerais, ficavam entusiasmados com as soberbas paisagens de campinas onduladas desta região. Solicitavam então ao governo, sesmarias. As primeiras foram as da Conceição e do Rio Verde, região entre os rios Jaguaricatú e Iapó, Rio Verde, Pitangui e Tibagi. Povoadas por gente enviada por José Góis de Moraes, filho do paulista Pedro Taques de Almeida, com a ajuda de seus parentes Bartolomeu Pais de Abreu e Antonio Pinto Guedes.

   Os primeiros que aqui se fixaram eram na sua maioria descendentes de portugueses. Havia entretanto já alguns espanhóis. Nos primeiros tempos a vida foi dura, a falta de recursos, o quase isolamento, temperou esta gente, dotando-os de qualidades que lhes permitiram a sobrevivência. Os pioneiros de nossa terra, aqui fixados, tornaram-se grandes fazendeiros, e desde o princípio preferiram dedicar-se à pecuária e à agricultura. Os trabalhos servis eles renegavam por admitir serem inferiores à sua importância. Mesmo na pecuária e na agricultura, contavam com o trabalho do escravo, que se encarregava do pastoreio e da plantação e de todas as demais tarefas consideradas humilhantes. Calcula-se, em 1069 o número de escravos existentes em Ponta Grossa no século XIX.

   Aos poucos o novo morador vai adquirir maneiras fidalgas e ares senhoris, embora continuasse usando o chapelão e cigarro de palha, fosse analfabeto e rústico ao tratar com os subalternos. As mulheres eram pacatas e tímidas. Pouco falavam e viviam quase sempre fechadas dentro de casa. Bonitas quando jovens e solteiras, casavam muito cedo, e geralmente envelheciam e enfeiavam muito depressa, devido à vida sedentária e ao grande número de filhos que tinham. Muitas morriam quando nascia o primeiro filho.

   Os homens enviuvavam várias vezes, mas sempre procuravam casar com jovens de 13, 14 ou 15 anos, embora já tivessem às vezes passados dos 30 anos. As mulheres quando de condições mais humildes, dedicavam-se à confecção de trabalhos de cestaria, objetos estes que eram vendidos nas feiras de Sorocaba. Os homens eram sisudos, autoritários, e pouco falavam com suas esposas e também com estranhos. Eram desconfiados e custavam a fazer amizades.

   Os cargos de administração local, e na capital da Província eram preenchidos por eles. Reservavam para si também, além da autoridade administrativa e política, a policial. A maioria dos moradores de nossa região no século passado, usava um título da guarda-nacional e sempre dos mais elevados: coronel, major ou capitão.

   Eram poucos os que mandavam os filhos estudar fora, nos primeiros tempos, mas já no começo do nosso século, algumas dessas famílias mandavam alguns de seus filhos para São Paulo. Isto explica, pois o ensino em nossa cidade só começou a melhorar a partir dos primeiros anos do século XX, e assim mesmo, só o primário. Portanto, quem tinha posse, mandava os filhos estudar fora.

   A pseudo-aristocracia rural que aí se formou persistiu até os fins de 1940, mas depois a situação começou a mudar, devido ao aumento da população e a vinda constante de elementos de fora, não só de estrangeiros, mas de brasileiros de outros Estados, que começavam a disputar lugares melhores na sociedade, de acordo com suas capacidades.

   Ponta Grossa em 1936 (filme "Cidades do Paraná")
((VÍDEO)) https://youtu.be/S2Gm18fqqDA
Autor: João Baptista Groff (1898-1971) - Acervo da Fundação Cultural de Curitiba - Restauro de Zélia Magalhães e Elisabeth Wagner - Trilha Sonora de Jorge Falcon - Projeto pela Lei de Incentivo Municipal - apoio da Caixa Econômica Federal. Groff foi contratado em 1936 para filmar cidades e agência da CEF pelo Paraná. Disso resultou o filme "Cidades do Paraná"

Os Estrangeiros no Povoamento



   A partir de 1835 começaram a chegar os primeiros imigrantes estrangeiros. De origem alemã e suíça, estabeleceram-se a princípio nos arredores de Curitiba. Tempos depois, entretanto alguns foram se mudando para o interior. Para Ponta Grossa vieram os Canto, Naumann e Bahls. Dedicaram-se ao comércio, pois traziam recursos e tinham aptidão para negociar.

   Em 1878 chegam aos arredores de Ponta Grossa os imigrantes russo-alemães. Vinham da Rússia, para onde seus antepassados, das terras alemãs, haviam emigrado a convite de Catarina, a Grande, soberana dos russos. Em colônias próximas ao Volga, durante o reinado da soberana de origem germânica, foram bem tratados, embora a população jamais os tivesse aceitado em suas comunidades.

   Após a morte da Czarina, a situação mudou. Hostilizados abertamente agora não só pelo povo, mas também pelo governo, passaram a sofrer duramente. Tentaram voltar para as terras alemãs, mas foram impedidos pelos governos destas. Vivendo miseravelmente em choças de terra batida, sofrendo o inverno rigoroso da região, apelavam aos países que os aceitassem como colonos. D. Pedro II, imperador do Brasil, numa das suas viagens à Europa, tomou conhecimento destes acontecimentos, e sabendo que o grande problema do Brasil ainda era o povoamento, imediatamente facilitou a vinda destes elementos. Devido ao clima foram trazidos para o sul, e enviados ao Paraná, por ser a mais nova Província do Brasil, e a que mais se ressentia talvez, no momento, de colonizadores.

   Encaminhados para a Colônia Otávio, dividida em 20 núcleos nos arredores de Ponta Grossa: Tavares Bastos, Taquarí, Tibagi, Dona Luiza, Moema, Eurídice, Botuquara, ltaiacoca, Sanlta Matilde, Guaraúna, Guarauninha, Uvaranas, Rio Verde, Santa Rita, Dona Adelaide, Trindade, Floresta, Neves, Capivari e Pelado. Aí receberam terras do governo provincial que as adquiria dos ricos fazendeiros. Mas eram terras impróprias à agricultura e com a desvantagem de não conhecerem o clima nem as culturas apropriadas ao solo, os colonos fracassaram já de princípio. Começaram então a emigrar para a Argentina, onde o governo de fato estava assistindo e orientando a colonização.

   Entretanto, muitos ficaram. Com árduos esforços viram suas terras produzir e então permaneceram. Outros começaram a vir para a cidade. Aqui passaram a dedicar-se a ofícios os mais diversos, tais como: serradores, sapateiros, ferreiros, alfaiates, tecelões, carpinteiros, marceneiros, pedreiros, caldeireiros, chapeleiros, etc. Por serem trabalhos manuais eram considerados servis pela sociedade local, que portanto, colocava os novos moradores à distância. Estes sentiram durante muitos anos a diferença e a separação a que estavam relegados, e somente muitos anos depois seus netos bisnetos começaram a sentir que as barreiras estavam ruindo e felizmente não houve mais discriminação social, e passaram todos a constituir a grande família pontagrossense.

   Por pertencerem estes imigrantes à religião católica e outros à religião reformada luterana, passaram os católicos a freqüentar a Igreja Matriz de Sant'Ana, outros a Capela de Nossa Senhora do Rosário, e colaboraram na construção da Capela do Divino Espírito Santo (São Vendelino), na Colônia Dona Luiza, que passou a ser freqüentada exclusivamente por estes colonos. Os luteranos construíram uma pequena casa nos arredores da cidade, e ali freqüentavam os cultos religiosos.

   Os colonos russo-alemães que não emigraram para a Argentina, e cujas terras produziram; foram alguns anos depois, obrigados a abandoná-las pelas ameaças constantes de jagunços, de ricos fazendeiros, que ambicionavam a anexação destas terras às suas fazendas. Assim quase todos acabaram vindo para a cidade. Muitos passaram a criar porcos e fabricar banha, surgindo então as primeiras fábricas desse produto. Outros passaram a trabalhar em olarias, fabricando tijolos e te1has, alguns passaram a explorar curtumes, preparando peles e couros para vários empregos.

   Muitos se dedicaram, entretanto, a viver do transporte de mercadorias. Construíam toscas carroças, retangulares, de quatro rodas com tolda, puxadas por parelhas de quatro cavalos, e enfrentavam as péssimas estradas e caminhos do interior paranaense. Traziam erva-mate e outros produtos, para serem embarcados na Estrada de Ferro, com destino a São Paulo, a Paranaguá ou ao sul do País. Moravam os imigrantes russo-alemães em casas de madeira. Muito limpas, assoalho de tábuas areadas, cozinhas asseadas, com as paredes cobertas com panos bordados e frases pitorescas, o que lhes davam um aspecto bastante alegre. Prateleiras onde as panelas brilhavam de tão esfregadas.

   Estes imigrantes custaram a se adaptar aos costumes locais. Nos primeiros anos continuavam vestindo suas roupas pesadas e grossas, apropriadas ao clima europeu, mas impróprias ao nosso calor. Aos poucos foram aderindo à moda local, e pouco tempo depois, apenas a cor do cabelo, pele, e os olhos azuis diferenciavam-nos da população do lugar. Muitos continuaram falando o idioma alemão, e não se preocupavam em aprender a língua da terra. Na Igreja, alguns padres estrangeiros passaram a fazer o sermão em alemão, o que levou o Bispo Diocesano de Curitiba, D. João Braga, a fazer uma severa advertência aos Vigários da Matriz de Sant'Ana, para que passassem a usar somente o idioma nacional nos sermões e nos confessionários, obrigando assim os novos moradores a aprenderem a nossa língua.

   Ainda assim, os imigrantes procuraram com todo o empenho, que nas escolas por eles fundadas, uma junto ao templo luterano, próxima ao Hospital da Santa Casa, e outra no bairro da Colônia Dona Luiza, fosse ensinada a língua alemã aos seus filhos. Gostavam muito de música, e era comum algum membro da família tocar um instrumento musical. Este gosto acentuado por esta arte, levou-os a participar da vida musical na cidade. As primeiras bandas musicais contavam com inúmeros elementos russo-alemães entre seus componentes.

   A princípio os casamentos se faziam entre os imigrantes que às vezes viajavam de uma colônia a outra à procura de uma esposa. Era raro que os moradores locais permitissem. o casamento de seus filhos com filhos dos estrangeiros. Isto só ocorria quando eram muito pobres e as condições dos imigrantes eram melhores, ou então quando era de cor. Mas, entre as famílias tradicionais o casamento com filhos de estrangeiros era um verdadeiro tabu. Com o passar dos anos, esta maneira de pensar modificou-se, e principalmente com a ascensão dos descendentes dos estrangeiros às camadas sociais mais elevadas, através de estudos, hoje são muitas as famílias de destaque na sociedade princesina com sobrenome estrangeiro, e de casamentos bem sucedidos entre filhos de famílias tradicionais, filhos, netos de imigrantes.

   No povoamento de Ponta Grossa, devemos contar com o elemento po1onês que aqui chegou por volta de 1895, talvez um pouco antes. Haviam chegado ao Paraná em 1870. Destinavam-se às colônias dos arredores de Curitiba. Alguns, entretanto, anos depois começaram a se mudar para o interior. Os novos contingentes que Chegavam já eram encaminhados para as Colônias do Ivaí, Irati, Mallet, Rio Azul, Prudentópolis, etc...

   Próximo a Ponta Grossa, instalaram-se no Taquarí dos Polacos, Guaraúna, Teixeira Soares, etc... Vinham para o Brasil, fugindo de situação difícil, pois a Polônia estava muito sob o jugo da Rússia e da Prússia, que submetiam os poloneses a duras provas. Pesados impostos, serviço militar obrigatório por uma bandeira que não era deles, levava esta gente a emigrar para longe. Nas imediações de Ponta Grossa construíram suas casas de tábuas de pinho; até o telhado era de tabuinhas, pois as telhas eram caras e difíceis de adquirir. Assoalhadas, muito limpas, tinham nas paredes quadros de santos. Costumavam ter duas cozinhas. Uma para mostrar às visitas e outra, construída fora, para o uso geral.

   Os poloneses ao voltarem do trabalho no campo, lavavam os pés, pois costumavam trabalhar descalços. Para dormir, lavavam os pés, as mãos e o rosto. O banho corporal só aos sábados. As mulheres eram ótimas donas de casa. Cozinhavam bem, assavam o pão de centeio em fornos de barro e cuidavam bem dos filhos. A família era gera1mente numerosa. Loiros, altos, olhos azuis, nariz bem feito, maçãs do rosto salientes, os poloneses eram em geral bonitos. Apreciavam trajes vistosos e de tonalidades variadas. As mulheres usavam lenço na cabeça, amarrado ao queixo. Bordavam suas blusas e saias, com habilidades e capricho. Gostavam de levantar cedo e deitar cedo também. Trabalhavam com afinco o dia todo. Nos campos plantavam o centeio, batata e trigo.

   Os homens quando não estavam na lavoura gostavam de trabalhar em madeira, entalhando e fazendo objetos artísticos. Esta habilidade era ensinada de pai para filho. Como transporte usavam a carroça que era retangular, de quatro rodas, com um toldo e puxada por dois ou quatro cavalos. Era o meio de transporte usado para levar mercadorias e para irem à Igreja aos domingos. Nas festas de casamento o cortejo era feito com as carroças. Eram muito religiosos. Aqui em Ponta Grossa, os poloneses aos poucos passaram a freqüentar a pequena capela de São João, arruinada, no Largo do mesmo nome. Foram eles que se cotizaram e fizeram construir novo templo ao lado da velha capela.

   Nos últimos anos do século passado e a partir do século XX, Ponta Grossa viu chegar gradativamente outros europeus, de diversos lugares da Europa. Vieram os italianos. A princípio destinados às Colônias próximas de Morretes, do Assunguí e de Santa Felicidade nos arredores de Curitiba, começaram alguns deles a se deslocar para outras regiões, em busca de melhores oportunidades.

   Aqui em Ponta Grossa adquiriram terras em Uvaranas, e dedicaram-se a criação de gado leiteiro. Pelas ruas da cidade tomou-se comum ver moças bonitas, coradas, guiando carrocinhas e distribuindo o leite pela freguesia. Vendiam também queijo, manteiga, requeijão, nata, ovos, frangos, e muitos deles prosperaram. A pedido desses italianos e dos seus filhos, foi erigida a Capela de Nossa Senhora Imaculada Conceição, em 1924, no inicio do bairro de Uvaranas. Eram muito alegres, unidos, e gostavam de música e de cantos. Muitos de seus descendentes tomaram-se grandes fazendeiros e outros passaram a dedicar-se ao comércio na cidade.

   Chegaram os austríacos, suíços, alemães, bem como mais poloneses e os primeiros ucraínos. Dedicavam-se a exploração de açougues, fabricavam salames e outros tipos desta espécie. Alguns passaram a fabricar cerveja. Surgiram então as primeiras cervejarias em nossa cidade. Uma das maiores, a Cervejaria Adriática, prosperou, e hoje pertence à Cia. Antártica Paulista. Alguns eram relojoeiros, outros fotógrafos, ourives, chapeleiros, marceneiros, e assim a cidade começou a ficar provida destes serviços especializados, e dos quais se ressentia tanto.

   Mais tarde chegaram os primeiros imigrantes do Oriente. Eram sírios e libaneses, e como é do costume, abriram logo suas lojas e armarinhos. Os mais pobres passaram às vendas ambulantes, mascateando pelos arredores, com suas malas às costas, ou então vendendo frutas de porta em porta.

   E assim Ponta Grossa, verdadeiro cadinho de nacionalidades, foi crescendo e até hoje mantém suas portas abertas a todos os que aqui chegam, ou querem aqui vir morar, e contribuir com sua parcela de esforços no progresso e grandeza da cidade.

A Situação Política de Ponta Grossa nos Primeiros Tempos

   A carta Régia de D. João V, de Portugal, que dizia: "Faço saber a Vos Antonio da Silva Caldeira Pimentel, governador da Capitania de São Paulo, que se viu a Conta que me destes em carta de dezesseis de julho do ano passado sobre a abertura da Estrada do Rio Grande de São Pedro do Sul por essa cidade..." referia-se a estrada para o sul, aberta em 1730, pelo Governador D. Brás Baltazar da Silveira, que aproveitou picadas e caminhos, feitos anteriormente por sesmeiros e missões religiosas.

   Esta estrada partindo de São Paulo, passava por Jaguariaíva até o rio Tiagi, passando pelos rios Iapó e Pitangui, desviava por Itaiacoca e Cambijú, bem longe do local onde mais tarde surgiriam Castro e Ponta Grossa. Tropeiros que passavam por esta estrada, aos poucos foram desviando o trajeto, pois eram atraídos pelo progresso de

   Castro que crescia e já apresentava um bom movimento comercial. Este novo caminho cortava as terras onde surgiria logo depois a povoação que iria dar origem a Ponta Grossa.

   Vindos do Sul, os viajantes passavam pela rua das Tropas, como foi chamada depois (hoje Rua Augusto Ribas), e em direção norte tomavam o rumo da velha estrada que há alguns anos ligava nossa cidade a Castro. Possivelmente, por volta de 1750, ao1ongo deste caminho, foram se fixando os primeiros moradores, que eram tropeiros que casavam com filhas de fazendeiros dos arredores. Assim surgiu o povoado, ao longo do caminho das tropas. Seus moradores, a princípio viviam de negócios, vendendo produtos de primeira necessidade e objetos de artesanato aos viajantes.

   Por ser lugar de passagem, ou apenas de pernoite, muitas vezes se tornava alvo de maus elementos que por aqui passavam, e por este motivo, a Câmara de Castro, nomeou Ignácio dos Santos, Capitão de Mato do Bairro de Ponta Grossa, a 12 de fevereiro de 1792. Pela primeira vez, o povoado era chamado de Bairro.

   A nomeação de Ignácio dos Santos visava coibir, portanto; os abusos que se verificavam na região. Além do mais, a fuga constante de negros e escravos das fazendas vizinhas, e que se escondiam nas matas próximas, deixavam os moradores alarmados e temerosos pela sua segurança. Ainda mais que, às vezes, estes negros saiam das matas e vinham para a beira do caminho, pedindo serviço aos tropeiros, e suas aparências não eram muito tranqüilas.

   Em 11 de março de 1796, com o crescimento do Bairro, e para sua melhor proteção, uma Companhia de Cavalaria de Ordenanças por proposta de José Rodrigues Betim, Capitão-Mór da Vila de Castro ao Capitão General Bernardo de Lorena, da 5ª Comarca de São Paulo, foi criada no Bairro da Ponta Grossa. Foram nomeados: Capitão Comandante Cyrino Borges de Macedo, Ajudante José Leite de Azevedo; Alferes Francisco dos Santos e Joaquim Gonçalves Guimarães; Porta-estandarte Domingos Martins.

1. A Freguesia de Sant’Ana

   A distância de sete léguas do Bairro de Ponta Grossa à Vila de Castro, causava dissabores aos seus habitantes que eram obrigados a percorrer esta distância por exigências oficiais muitas vezes sem grande importância. A primeira petição de se elevar o Bairro à Freguesia, feita pelos homens de maior prestígio da região, como: Domingos Ferreira Pinto (o Mingote), José de Azevedo, Joaquim Carneiro Lobo, Hermógenes Lobo, Miguel Ferreira da Rocha Carvalhais e outros, foi encaminhada ao Governo Provincial de São Paulo, através da Câmara de Castro, em 13 de julho de 1821.

   Para serem atendidos, eram necessárias certas prerrogativas, como distância dos recursos espirituais, número considerável de habitantes, capela pavimentada, e a fixação da côngrua ao pároco. Para tanto se utilizaram os moradores da Casa da Telha, como Capela Provisória, instalando ai o altar existente na casa de Domingos Ferreira Pinto, e fixaram a côngrua, completando assim os requisitos necessários, já que a distância e o número de moradores preenchia perfeitamente o exigido na época.

   A petição recebida na Corte não teve o andamento previsto, pois a situação política da época não era propícia, visto que o Príncipe Regente andava assoberbado com outros problemas muito mais urgentes. Somente após a proclamação da Independência, e com o entusiasmo de 1iberdade atingindo a todos, voltaram os nossos a dirigir-se ao jovem soberano, seguidos pelos moradores de Jaguariaíva, que também ansiavam por libertarem-se de Castro. O prestígio do Coronel Luciano Carneiro foi evidente, pois suas pretensões foram atendidas, e na mesma data, a 15 de setembro de 1823, Jaguariaíva e Ponta Grossa passavam à categoria de Freguesia.

   O Decreto Imperial, com referência a Ponta Grossa dizia:

   Decreto n. 15, de 15 de setembro de 1823

   "Eu Imperador Constitucional do Império do Brasil faço saber que attendo ao que por Nero(sic), de consciência e ordens, subio a Minha Imperial presença. Hei por bem crear uma nova Freguesia com o rogo de Nossa Senhora Sant´Ana (sic), em lugar vizinho à Capela denominada Casa da Telha no bairro de Ponta.Grossa, distrito da vila de Castro do Bispado de São Paulo, ficando desmembrada da Freguesia da mesma vila, servindo-lhe de limites o rio Pitanguí, atravessando toda a latitude do Distrito da Freguesia da Vila de Castro e formando meio de círculo vai fazer barra no rio Tibagy e seguindo até fazer barra no Yapó, devendo pertencer todos os moradores além do Pitanguí e Tibagy até a barra tio Yapó, a esta nova Freguesia, este se cumprirá como nelle se contem sendo passado pela chancelaria das ordens e valerá de carta posto que seu efeito haja de durar mais de um ano sem embargo de ordenação em contrário, sendo revestidas nos livros da Câmara do Bispado de São Paulo, nos da nova Freguesia dos que com ela confinarem.

   Rio de Janeiro, 15 de Setembro de mil oitocentos e vinte e três. Segundo da Independência e do Império.

   Imperador com Guarda.

   Caetano Pinto de Miranda Montenegro".

   Inúmeras dificuldades se apresentaram logo de início à Nova Freguesia de Sant'Ana de Ponta-Grossa:

   1º - falta de um Vigário permanente.

   2º - a "casa da telha” não servia para Capela permanente, alegando os moradores ser o local desprovido de água e lenha, o que prejudicaria os habitantes da nova sede.

   Em reunião realizada na Fazenda Bom Sucesso, sede da Invernada Boa Vista, os moradores resolveram escolher a colina, local elevado e que era visto de longe pelos viajantes. Ali já havia uma grande cruz de madeira erguida por antigos tropeiros. Assim a nova Capela dominaria do alto da colina os verdejantes campos que se estendiam ao longe. Foi construída a Capela sob a invocação da Senhora Sant'Ana, santa da veneração dos sesmeiros antigos.

   Com o decreto Imperial de 15 de setembro de 1823, a nova Freguesia passava a contar com juizado de paz e divisão eclesiástica e civil. Teve o seu primeiro Júri, a 27 de novembro de 1834, e a 2 de maio de 1836, Benedito Mariano Ribas foi nomeado subprefeito. As Câmaras Municipais de acordo com as ordenações régias eram constituídas da seguinte maneira: Um Juiz Presidente, três Vereadores, Procurador da Câmara, o Conse1ho e um Almotacel, nomeado mensalmente, que equivalia a um cargo de Fiscal Geral do Município. O Juiz Presidente das reuniões do Legis1ativo assumia funções executivas, quando a Câmara entrava em recesso, vigorando apenas a autoridade do Juiz presidente e do Almotacel. Após a Independência do Brasil e as experiências administrativas, a Assembléia Legislativa de São Paulo, pela Lei nº 18 de 11 de abril, criou o Código de Processo Administrativo e Criminal da Província de São Paulo. Este Código de Processos, criou os cargos de Prefeitos para as Vilas e de Subprefeitos para os Distritos. O Prefeito era nomeado pelo Governo Provincial e o Subprefeito era escolhido pelo Prefeito.

   Manoel Ignácio do Canto e Silva, Prefeito da Vila de Castro, nomeado a 26 de junho de 1835, renunciou a 1.° de agosto do mesmo ano, sendo substituído por Joaquim José Borges, que nomeou Benedito Mariano Ribas Subprefeito da Freguesia de Ponta Grossa. Foi nosso primeiro governante oficial. Governou pouco tempo, pois a 29 de janeiro de 1838, pela Lei nº 4, a Assembléia Legislativa Provincial de São Paulo revogava a Lei que havia criado os cargos de Prefeitos e Subprefeitos, cessando desta maneira a existência desses cargos, que irão reaparecer com a Constituição de 1891, após a proclamação da República. As vilas até lá seriam governadas pelos Presidentes das Câmaras Municipais.

2. A cidade

   Os moradores de Ponta Grossa ambicionavam desde então a elevação da Freguesia à Vila, já que contavam com uma Companhia de Cavalaria de Ordenanças, fundada aqui em 1776 e, desde 1838 com a 4ª e 5ª Companhias de Cavalaria da Guarda Nacional. A 4ª Companhia possuía 81 praças em serviço ordinário e 10 praças de reserva, num total de 91 elementos, e a 5ª Companhia dispunha de 76 praças em serviço ordinário e 6 praças de reserva, num total de 82 elementos. Estas Companhias estavam alojadas em terrenos adjacentes ao pátio da Matriz de Sant'Ana, ficando a 5ª Cia. à esquerda do referido pátio e a 4ª Companhia à direita. Comandavam a 4ª Companhia o Cap. Juvêncio Alvares, o ten. Jacinto José de Oliveira e o Alferes Antonio Alves de Carvalho e a 5ª Companhia, o Cap. Generoso Pinto Leal, o 2° Ten. Antonio Pereira de Quadros e o Alferes José da Rocha Carvalhais. Cabia a estas duas Companhias a manutenção da ordem e a paz social dos moradores da Freguesia.

   A Freguesia contava também com um Juiz de Paz, tendo sido Hermógenes Lobo o primeiro. Residia em Castro e quem necessitasse dos seus préstimos tinha que ir até lá procurá-lo. A nove de janeiro de 1834, Castro passou a ter cinco Distritos de Paz. Ponta Grossa era o 4º Distrito. Benedito Mariano Ribas foi Juiz de paz em 1834. Depois Francisco José Dias de Almeida o substituiu e mais tarde o Padre Anacleto Dias Batista foi durante muitos anos Juiz de Paz na Freguesia de Ponta Grossa. Possuía também a Freguesia um Cartório Distrital. Por tudo isto é que a ambição de passarem à Vila, independentes de Castro, animava os moradores. Mas, foi somente após a separação da 5ª Comarca de São Paulo, e consequentemente o surgimento da nova Província do Paraná, em 18 de dezembro de 1853, e que a situação se tornou apropriada a estas reivindicações.

   Ponta Grossa foi visitada em novembro de 1854 por comitiva tendo a frente o Presidente Zacarias de Góes e Vasconcelos, que prometeu interceder junto às demais autoridades da Província sobre a possibilidade da elevação da Freguesia à Vila. Logo no início de 1855, com a abertura da Assembléia Legislativa, o projeto entrou em discussão, sendo aprovado e sancionado por Lei, de nº 34, em 7 de abril de 1855. Ponta Grossa, agora Vila, conforme a Lei nº 34, que dizia:

   "Zacharias de Góes e Vasconcelos, presidente da Província do Paraná. Faço saber a todos os habitantes que a Assembléia Legislativa Provincial decretou e eu sancionei a lei.

   Art. I – Fica elevada à categoria de Vila a Freguezia de Ponta Grossa do Município de Castro.

   Art. II - Seus limites com Municípios de Castro,

   Guarapuava e Curitiba, serão os mesmos que se observam na parte eclesiástica.

   Art. III - Ficam revogadas as disposições em contrário. Mando portanto a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da referida lei pertencer, que a cumpram e a façam cumprir, tão inteiramente como nela se contém. O Secretário desta Província a faça imprimir, publicar e correr.

   Pa1ácio do Governo do Paraná, em 7 de abril de 1855, 33º ano da Independência do Império.

   Zacharias de Góes e Vasconcelos".

   O novo Município instalado, ficava dentro das seguintes divisas, conforme o que havia sido determinado por ocasião da criação da Paróquia de Sant'Ana:

   "DIVISAS - Rio Tibagí, que nasce na Fazenda dos Porcos, pelo dito abaixo até o Ribeirão chamado de Santa Rita e por este acima procurando o sertão direito até o Rio Iguaçu e por este abaixo ao lugar fronteiro às nascentes e cabeceiras do Rio dos Patos e por este abaixo dividindo-se com Guarapuava, e do mesmo rio rumo direito às cabeceiras do Ribeirão Fundo e por este abaixo até o rio Tibagí; e por este acima até a barra do rio Pitanguí; por este acima até frontear a Serrinha denominada São Miguel e por esta acima até o Ribeirão das Areias e por este abaixo até outro Ribeirão denominado o Bufo de Água e deste rumo direito às cabeceiras do Rio Tibagi de onde principiaram as divisas."

   Estávamos assim em igualdade de condições e completamente independentes do foro de Castro. No dia 6 de dezembro de 1855, na residência de Joaquim Procópio de Souza e Castro, efetuou-se a posse de Vereadores da 1ª Câmara Municipal de Ponta Grossa. Eram: Joaquim Procópio de Souza e Castro, Francisco Martins de Araújo, Jeremias Álvares Carneiro, Alexandre Ferreira da Rocha Carvalhais, Frederico Martinho Bahls, Cândido Xavier de Almeida e Souza e Joaquim Branco e Silva. Era Presidente da Câmara Joaquim Procópio de Souza e Castro, que passava a governar a cidade, uma vez que Ponta Grossa foi elevada à categoria de Cidade.

   Em 1862 era Presidente da Câmara o Sr. Frederico Martinho Bahls quando a 26 de março deste ano a Vila de Ponta Grossa foi elevada à categoria de Cidade. Neste mesmo ano a Câmara após haver recebido certa quantidade de sacas de sementes de algodão do governo da Província distribuiu-as entre os lavradores para o plantio, em nossa região. Em 13 de janeiro de 1863, concedia donativos para as obras da reconstrução da Matriz de Sant'Ana.

   Em 1865 a Câmara emitia comunicado referente à proibição do enterramento de corpos no recinto de igrejas e capelas Junto aos cemitérios. Era costume das pessoas mais abastadas nas cidades serem enterradas após a morte, nas criptas ou então em cavidades abertas nas paredes das igrejas, e somente as pessoas mais humildes eram enterradas fora, no cemitério, ao lado ou nos terrenos dos fundos da igreja. Houve alguns cidadãos em Ponta Grossa que pretenderam enterrar seus parentes dentro da igreja, uma vez que os lugares mais bem localizados do cemitério São João já se achavam ocupados. A proibição feita pela Câmara motivou uma reação das famílias mais importantes e os senhores vereadores então cogitaram da necessidade de um novo cemitério na cidade. Sem consultarem as autoridades eclesiásticas a quem estavam afetos os problemas dos enterramentos e superintendência dos cemitérios, por força da Constituição de 1824, simplesmente escolheram um local plano e elevado, fora do perímetro urbano, cercado de tábuas, e que foi denominado Cemitério Municipal. Já de inicio alguns jazigos suntuosos foram ali construídos. Eram fabricados em outras cidades e eram montados aqui. Alguns totalmente de mármore branco, vieram da Itália.

   Tempos depois o Vigário da Paróquia Sant'Ana, João Evangelista Braga, interpelava através de correspondência, a Câmara Municipal sobre o Cemitério. Ele havia a pouco assumido seu cargo à frente da Paróquia, mas já havia notado que enterros eram feitos no novo Cemitério, mas o Pároco não era notificado dos mesmos.

   Nessa ocasião a Câmara Municipal já a tempos vinha mantendo uma pendência judicial com a Paróquia de Sant'Ana por causa das terras do Rincão da Ronda, alegando serem esta propriedade municipal e não eclesiástica uma vez que os papéis de doação não eram bem claros a respeito do assunto, e assim de momento não prestou a devida atenção ao pedido do novo Pároco. Era Presidente da Câmara José Joaquim Pereira Branco, e vereadores os senhores: Joaquim Antônio dos Santos Ribas, João Baptista Lustosa Ribas, José da Costa Rodrigues Guimarães, Francisco José da Rocha, Francisco Teixeira Alves, Tobias de Almeida e Silva e outros. Mais tarde, a Câmara convidou o Padre Antônio Piña Vasconcelos, coadjutor do Pároco da Matriz de Sant' Ana, para assistir a ereção de uma cruz de madeira no Cemitério, e abençoar o campo santo. Passou então o cemitério a denominar-se São José (o mesmo de hoje na rua Balduíno Taques) .

   Quanto ao litígio sobre as terras, uma vez que a Câmara não se conformava com o depoimento de parentes da família de Domingos Ferreira Pinto, que este havia doado o Rincão da Ronda para a Paróquia de Sant’Ana, mantiveram a pendência por anos a fora. O Judiciário da Província manifestou-se a favor do clero com respeito à doação, mas os políticos não se conformavam, e já no século XX um dos prefeitos da municipalidade loteou a Ronda distribuindo e vendendo lotes, provocando novamente reabertura da questão. Para não prejudicar cidadãos inocentes envolvidos nos casos e que já haviam construído suas moradias nas terras, e com o arruamento já feito, as autoridades eclesiásticas de nossa região, com a razão ao seu lado uma vez que o poder Judiciário dava ganho de causa a eles, concordaram em receber outras terras da Municipalidade, algumas dessas onde foi construído o Colégio Josefino, depois Instituto Assistencial S. José dos padres Salesianos, nos terrenos da antiga chácara dos Neves.

   Em 1871, a cidade foi denominada Pitanguí. Em 1872 voltou a ser chamada Ponta Grossa. A 10 de agosto de 1878 foi solicitado pela Câmara que a linha de diligências que vinha de Curitiba até Campo Largo, estendesse seu itinerário até a nossa cidade. Neste mesmo ano iniciou-se a colonização russo-alemã em colônias próximas à cidade. Recebemos a visita do Presidente da Província Dr. Lamenha Lins que vinha ver de perto o trabalho que estava sendo feito nesse sentido.

   Foram criados no Planalto dos Campos Gerais, arredores de Ponta Grossa a Colônia Otávio, com 20 núcleos, tendo o governo provincial iniciado as medidas no sentido de adquirir terras dos grandes fazendeiros do lugar.

   Em 27 de maio de 1880 chegava a Ponta Grossa S.A.R. D. Pedro II e sua esposa Dona Theresa Cristina, e uma grande comitiva, vindos de Curitiba. Aqui permaneceram quatro dias, tendo Sua Majestade visitado algumas colônias dos imigrantes russo-alemães. Visitou Castro também, e no dia 31 de maio, às 11 horas, partiu com sua comitiva para a cidade de Palmeira. D. Pedro II ao vir a Ponta Grossa queria sentir de perto os problemas que haviam feito fracassar quase que totalmente a colonização russo-alemã nos Campos Gerais. Alguns anos depois começavam a chegar os poloneses às terras do Município. Grande parte deles vinha de colônias e núc1eos de outros pontos da Província.

   Quando foi proclamada a República, a 15 de novembro de 1889 era Presidente da Câmara o Cel. Cláudio Gonçalves e Vice-Prefeito o senhor So1ano Batista. Durante o Governo Provisório do Marechal Deodoro da Fonseca, o Cel. Cláudio Gonçalves Guimarães foi nomeado Intendente da Municipalidade, governando até 1892, quando foram realizadas as primeiras eleições para o cargo de Prefeito de nossa cidade. Foi a 23 de setembro, e o Prefeito eleito foi o Major Manoel Vicente Bitencourt, nascido em Morretes em 1838, e chefe de tradicional família em Ponta Grossa. Antes de ingressar na política, dedicava-se ao comércio. Como Prefeito realizou inúmeras obras de vulto: arrasamento do antigo Cemitério São João, nivelação do terreno e aproveitamento da terra para fechar a barroca do Páteo do Chafariz, depois Largo do Rosário e hoje Praça Barão do Rio Branco. Melhorou a rua do Comércio, a rua Sant'Ana, construiu bueiros e valetas. Em 1894 foram solenemente inaugurados os serviços da Estrada de Ferro do Paraná, entre Ponta Grossa e Curitiba.

   O governo do Major Manoel Vicente Bitencourt foi bastante conturbado pelos reflexos da revolução federalista, e pelo fato das tropas de Custódio José de Melo terem tomado Curitiba, enquanto Gumercindo Saraiva e outros, após vencerem o famoso "Cerco da Lapa" avançavam ameaçando cidades interioranas como a nossa. Ao ser substituído em meados de 1895, a revolução estava no fim, restando a captura de alguns revolucionários que haviam fugido para o interior. Aqui mesmo em Ponta Grossa alguns elementos famosos ficaram escondidos em casas de famílias importantes, simpatizantes do movimento federalista. Afastaram-se depois indo para os campos de Guarapuava e Palmas.

   O primeiro Prefeito Municipal de Ponta Grossa faleceu em 1924, com avançada idade, e acha-se sepultado no Cemitério São José.

   Em 1895 foi eleito o Tenente Coronel Balduíno de Almeida Taques. Nascido em Tibagi em 1842. Fez o curso primário em Ponta Grossa. Aos 16 anos era tropeiro, viajando até as terras do Rio Grande do Sul. Governou nossa cidade até 9 de maio de 1896, quando se afastou por motivo de doença sendo substituído no governo pelo Cap. Theodoro Carneiro Guimarães, até que fossem realizadas novas eleições. A 5 de novembro de 1896 tomava posse o novo Prefeito eleito, Ernesto Guimarães Vilela, para terminar o período governamental anterior. Fazendeiro abastado, vivia, antes de ingressar na política, em sua fazenda de Santa Cruz, distante 20 quilômetros, na estrada para Tibagi. Foi casado duas vezes e foi tronco de numerosa família. Inaugurou o Mercado, em 24 de abril de 1896, no local onde se encontram atualmente as dependências do Colégio Estadual do Comércio e Escola de 1º Grau Senador Correia.

   Mandou construir um chafariz no Largo do Rosário, Concedeu terrenos municipais, através de contratos firmado em 23 de novembro de 1899, à Companhia de Estrada de Ferro São-Paulo - Rio Grande (que no ano de 1895, havia iniciado a construção de uma ferrovia ligando São Paulo ao Rio Grande do Sul, passando por nossa cidade). Terrenos necessários à Companhia para a construção da Estação - tendo de frente 265 metros, na continuação da rua Progresso até o cerco dos terrenos da Compagnie Générale de Chémins de Fer Brésiliens. Estes terrenos foram desapropriados a herdeiros do finado Cláudio Gonçalves Guimarães. Durante seu governo foi inaugurado a iluminação elétrica da cidade, em abril de 1905. A usina termelétrica era de propriedade de Guimarães, Ericsen e Filho. Desde 1870 Ponta Grossa era servida por iluminação de lampiões a óleo. Nas noites de luar estes não eram acesos, economizando-se assim o combustível. Nas outras noites eram acesos ao escurecer e por volta da meia noite eram apagados. Nem todas as ruas possuíam iluminação: apenas a rua do Comércio (atual Vicente Machado) a rua D. Pedro II (atual XV de Novembro), a praça da Matriz (atual Floriano Peixoto), a rua D. Tereza Cristina (atual Deodoro da Fonseca), a rua Sant'Ana e a rua das Tropas, atual Augusto Ribas). Com a iluminação elétrica a cidade melhorou de aspecto. Ainda durante seu governo, pois Ernesto Guimarães Vilela foi reeleito mais duas vezes, ficando quase 12 anos à frente do executivo princesino, concedeu ao Ministério da Guerra os terrenos da Invernadinha do Cara-Cará em Uvaranas com as respectivas plantas, para ali se instalar um corpo do Exército.

   A 21 de setembro de 1908 assume o governo municipal José Bonifácio Guimarães Vilela, quarto prefeito eleito de Ponta Grossa. Era irmão do prefeito anterior. Nasceu em Ponta Grossa em 1865. Durante a sua gestão, doou terrenos ao Ministério da Guerra para o aquartelamento de forças federais em nossa cidade. Estes terrenos ficavam em terras da chácara dos Neves, e faziam limite com os terrenos do Jóquei Clube. Ali foram construídas as primeiras edificações em madeira para aquartelar as tropas do 6ºR.I., que aqui se instalaram a 26 de Janeiro de 1909. Aqui permanecendo até 1º de julho do mesmo ano, quando foi transferido para Porto União.

   Desta cidade veio o 5º R.I. que se instalou aqui em 1º de Janeiro de 1909, ficando até 29 de novembro de 1917, quando foram transferidos para outro lugar. Aqui permaneceram alguns militares para cuidar o material e dos prédios edificados. O prefeito José Bonifácio Guimarães Vilela realizou o calçamento de muitas ruas de nossa cidade.

   A 21 de setembro de 1912 é empossado como prefeito de nossa cidade, Theodoro Batista Rosas, eleito em pleito renhido. Nasceu em 1861 em nossa cidade. Durante seu quadriênio foi instalada a primeira rede de água e esgoto em Ponta Grossa, pela firma do Dr. Elizeu Campos Melo. Foi inaugurada a hidrelétrica, à margem do rio Pitangui, de Martins e Carvalho, substituindo a antiga usina movida a lenha e carvão, que além de dispendiosa já não cumpria sua finalidade. Mudou o nome do Largo São João para Praça Barão de Guaraúna, e da rua São João para rua Cel. Francisco Ribas. Faleceu solteiro em 21 de fevereiro de 1923.

   Em 1916 foram realizadas e1eições. Os grandes políticos pontagrossenses desta época eram: Capitão Brasílio Ribas, Brasil Pinheiro Machado, José Bach, Vítor Antônio Batista, Jorge Becher, e outros. Não se sabe ao certo quem teria ganho as eleições. Todos os livros desta época desapareceram dos arquivos públicos. Pelas diversas opiniões populares chega-se á conclusão que Ponta Grossa teve dois prefeitos nesta ocasião. Um à frente do Legislativo e outro à frente da Prefeitura Municipal, duelavam pelo poder. Esta situação finalmente cessou com a interferência de Afonso Camargo, Governador do Estado, que determinou a realização de novas eleições e enquanto isto, governaria interinamente a cidade o Capitão Brasílio Ribas. A 17 de fevereiro de 1917, realizadas as eleições, venceu o Dr. Abrham Glasser, médico, natural de Canguçu, Rio Grande do Sul onde havia nascido em 1º de Junho de 1887. Esteve quase sempre ausente da Prefeitura, por não ter abandonado sua profissão. Sua única obra de vulto foi a arborização da Avenida Vicente Machado e o inicio da construção da nova Estação Ferroviária. Alguns anos depois o Dr. Glasser foi residir em São Paulo, onde faleceu.

   Em 1920 é eleito para a Capitão Brasílio Ribas. Nasceu em 1870, em Ponta Grossa, aqui falecendo também em 1931. Enfrentou grande oposição política em seu governo. Durante todo o quadriênio procurou equilibrar a situação financeira do Município. Em 11 de junho de 1923 foi criado pelo governo federal, o 13º Regimento de Infantaria, em Ponta Grossa. A partir desse ano passamos a contar com forças federais do Ministério da Guerra permanentemente em nossa cidade, o que vinha provar mais uma vez a situação estratégica de nossa região.

   Em 1924 foi eleito o Cel. Vítor Antônio Batista. Nasceu em nossa cidade a 26 de outubro de 1880, aqui falecendo em 7 de setembro de 1950. Durante o seu governo à frente da Prefeitura Municipal, inaugurou a Praça Munhoz da Rocha, defronte a Estação Ferroviária, o prédio do Forum local, a Casa da Detenção, o Ginásio Regente Feijó, e mandou construir com a ajuda do Governo Estadual, o prédio onde iria funcionar a Escola Normal de nossa cidade, inaugurada em 1924 (edifício onde hoje funciona o Colégio Estadual Regente Feijó).

   Empenhou-se de maneira bastante significativa para que Ponta Grossa sediasse a nova Diocese que seria criada no Paraná. Outras cidades reinvindicavam este privilégio, mas o Prefeito, as autoridades políticas da época, o clero, as provas palpáveis e evidentes de ser nossa cidade a mais bem servida por caminhos, estradas e ferrovias; que o seu progresso era significativo, com escolas secundárias funcionando com pleno êxito além da rede de escolas primárias bastante expressiva; com um Regimento de Infantaria aqui sediado, garantindo a ordem e a tranquilidade de toda a região, e, com o grande número de Paróquias nas adjacências de Ponta Grossa e que seriam beneficiadas. O grande movimento comercial, visível em nosso Município, além das grandes serrarias e outras indústrias, aqui instaladas, tais como: de erva-mate, de banha, xarqueadas, cervejarias, de tecidos, etc... eram provas mais do que evidentes ser o nosso Município o mais adiantado e progressista do interior do Paraná. E assim a 10 de maio de 1926, foi fundada a Diocese de Ponta Grossa, marco inicial da grande arrancada no progresso espiritual de nossa cidade.

   Foi o Prefeito Vítor Antônio Batista que deu os primeiros passos para que o governo estadual abrisse crédito para atender à formação do patrimônio da nova Diocese: “Decreto n.° 307. O Presidente do Estado do Paraná, usando da autorização contida na lei nº 2343, decreta: Art. Único - Fica aberto o crédito de 160.000$000 para attender o auxílio concedido à formação do patrimônio da diocese de Ponta Grossa e de igual quantia para o da Diocese de Jacarezinho.

   Palácio da Presidência do Estado do Paraná, em 19 de Março de 1925; 36º da República.
(Assignados) Caetano Munhoz da Rocha e Alcides Munhoz”, bem como também deu os primeiros passos para a aquisição do prédio destinado ao Palácio Episcopal, com a ajuda recebida de D. João Braga, Bispo de Curitiba.


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