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Publicado em: 04/04/2022

Padre José Nilson assume paróquia em Irati

Sacerdote ficou cinco anos em missão na Amazônia

 
Padre Nilson na Amazônia: “missão é atitude de amor” Padre Nilson na Amazônia: “missão é atitude de amor” | Crédito: AssCom Diocese de Ponta Grossa

 Em Ponta Grossa desde o início de março, o padre José Nilson Santos que serviu na Prelazia de Lábrea, no Amazonas, por mais de cinco anos, toma posse como administrador da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Irati, neste dia 6. Padre Nilson assume a paróquia ao lado do padre José Lauro Gonçalves Gomes, como vigário. A missa que vai oficializar a nova missão acontecerá nesta quarta-feira, às 19 horas. Nesta entrevista, padre José Nilson conta os detalhes de como se tornou missionário da Diocese de Ponta Grossa na Amazônia, sendo o segundo padre diocesano a participar do Projeto Igrejas-Irmãs.


Quando o senhor foi para a missão? Como surgiu o convite?


Padre José Nilson- Eu fui enviado para a Prelazia de Lábrea, dentro do Projeto Igrejas-Irmãs, como missionário para auxiliar aquela prelazia na sua carência de padre, a carência pastoral, no dia 1º de outubro de 2016, na Paróquia Santa Teresinha, em Ponta Grossa, por Dom Sergio. E lá, fui apresentado na prelazia como missionário enviado pela Diocese de Ponta Grossa pelo bispo prelado Dom Santiago, no dia 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida. A nossa Diocese estava vivendo o pós-Santas Missões Populares, momento em que toda a diocese vivia esse espírito missionário, a Igreja em Saída, tudo isso estava muito presente no meu coração. Além disso, eu sempre senti necessidade de fazer uma experiência de missão além-fronteiras da nossa Diocese e havia duas possibilidades: ir para a África, Guiné Bissau, a convite de Dom Pedro Zilli, através do padre Mário Spaki. Dom Pedro ligou para mim, eu estava em um curso para formadores, em Londrina, e ele abriu as portas da sua diocese, lá em Guiné Bissau. E a outra proposta surgiu a convite do padre José Lauro, que estava em missão, lá em Lábrea, e estava voltando para a Diocese e queria dar continuidade ao Projeto Igrejas-Irmãs. Então, achei por bem ir para Lábrea. Fui a convite do padre José Lauro e do bispo Dom Jesus Morazza, até então, bispo da Prelazia de Lábrea. Hoje, ele é o bispo emérito. Mas, antes de ser enviado para Lábrea, eu fui conhecer a prelazia. Fiquei 15 dias lá. 


Como foi o choque de assumir o trabalho pastoral em uma realidade tão diferente?


Padre- O que me ajudou foi o curso em Brasília. Eu fiquei um mês em Brasília, conhecendo um pouco da realidade da missão na Amazônia e isso me ajudou a não sofrer um impacto tão grande. Mas, eu lembro por exemplo, do clima, o calor era muito intenso; a comida, a maneira com que eles vivem, essa dimensão da família, que é bem diferente da nossa, a maneira de celebrar, mais alegre, mais dinâmica, batendo palma nas missas....Isso foi para mim também novidade. Mas, quando cheguei em Lábrea, o bispo pediu para mim: transcreva quais as suas reais motivações, por que vem para a missão? Eu escrevi que gostaria de colaborar, conhecer as comunidades ribeirinhas, conhecer as famílias, falei dos meus sonhos. Ele disse: tudo isso você vai viver na medida que o tempo vai correndo, porém, no momento, eu preciso do senhor para ficar responsável por uma área missionária dentro da cidade de Lábrea, como vigário. Vai ficar coordenando uma área de cinco comunidades. Dentro dessa área, grande, também vai ficar responsável pelo seminário propedêutico. Eu que estava saindo do seminário propedêutico acabei assumindo a formação lá, onde tinha um seminarista, que estava fazendo a experiência do propedêutico. Fiquei responsável pelo seminário onde tem uma chácara também e, além disso, coordenando essas comunidades, reunindo os conselhos, organizando as missas, todo o trabalho pastoral nesse setor. Além disso, eu também auxiliava nas desobrigas, as visitas subindo o rio. São mais de 60 comunidades, que uma vez por ano tem a visita do padre com o barco da paróquia. As irmãs agostinianas missionárias e alguns leigos, da Pastoral da Criança, me acompanhavam. Nesses três anos e pouco em Lábrea foram várias as vezes que eu fiz as desobrigas. 


Assumir a coordenação desse trabalho pastoral era o que o senhor esperava?


 Padre – Não. Eu achava que iria chegar lá e iria trabalhar mais no rio, em uma equipe itinerante, ajudando as comunidades, dando formação...E de repente, o meu trabalho era dentro da cidade: acompanhar a Catequese, as pastorais e movimentos que já existiam, os conselhos de comunidade, as festas dos padroeiros, suscitar a formação para os leigos, foi diferente. Entendi e vi como uma necessidade urgente. Me debrucei sobre isso. 


O senhor viu a evolução das comunidades?


Padre – Esse setor é quase uma paróquia e ali precisa de um padre. A presença do padre fazia toda a diferença, celebrando, participando das reuniões, fazendo as exéquias...Além disso, o bispo me confiou algumas tarefas a nível diocesano. Ser assessor da Pastoral da Criança de toda a prelazia. Vim para Curitiba fazer curso de assessor espiritual da Pastoral da Criança. Depois, acompanhar a Renovação Carismática Católica, a dimensão do dízimo, a Pastoral Vocacional. Foi interessante. Isso me ajudou a abrir horizontes, a conhecer o todo da prelazia.


E as desobrigas, era o que senhor imaginava?


Padre – Quando eu cheguei eram bem diferentes. A desobriga não era só ir ao encontro das comunidades, era viver a realidade dentro do barco, fazer a comida, dormir na rede, enfrentar os pernilongos, as muriçocas, correr o risco de pegar malária, chegar nas comunidades e ver a realidade do abandono das políticas públicas, sem escola, sem posto de saúde, sem agentes de saúde, trazer esse grito do povo para as autoridades. Fazer essa dimensão profética também dentro das desobrigas. Eu imaginava que era só chegar e celebrar a missa. Há toda uma realidade de sofrimento, de carência, algo muito mais impactante. Por exemplo, a gravidez na adolescência. As meninas com doze, treze anos estão grávidas. Situação de prostituição, a droga que chegou também nas comunidades ribeirinhas, a adolescentes e jovens fora da escola. Vi muitas situações assim. 


Como foi assumir a Paróquia São João Batista em Canutama?


Padre – Eu estava me preparando para voltar para Ponta Grossa porque o contrato falava de três anos e já estava quase indo para o quarto ano em Lábrea. Quando houve a proposta de Dom Sergio assumir uma paróquia a pedido do bispo, que era a Paróquia São João Batista, em Canutama, houve também uma proposta de Dom Sergio para mim, de eu ficar com o padre Osvaldo, que não conhecia a realidade e eu já tinha um caminho feito ali. Concordei em ficar mais dois anos. A paróquia é grande territorialmente. Tem mais de 29 mil quilômetros quadrados, maior que a nossa diocese. Outra realidade. Chegamos no ano da pandemia. Um ano muito difícil. Nós com muitos planos, muitas ideias, querendo colocar em prática aquilo que a Assembleia Paroquial tinha assumido, antes de nós, e, chegamos lá, nos deparamos com a realidade da pandemia. Uma cidade pequena, um hospital pequeno, estrutura não facilitava, sem barreira sanitária. Barcos chegando de Manaus, barcos passando de Lábrea. Nós, com muito medo. Se a questão da Covid se alastrasse, como estava em Manaus, seria terrível naquela cidade. Sem aeroporto, que está interditado; sem estrada, é tudo só pelo rio. Foi bem desafiador. Rezando missa somente pela rádio. Fechamos as igrejas, paramos com as atividades. Foi um ano muito difícil de adaptação para nós, sem poder estar em contato com o povo. Graças a Deus, tem uma rádio comunitária, a Voz de Canutama, que ajudou muito. Missas eram transmitidas, temos o programa da Igreja Católica, a fala do padre e é bem ouvida, tem boa participação da comunidade. 


Uma forma de consolidar o Projeto Igrejas-Irmãs, o pedido de dom Santiago Sanchez Sebastian, foi a criação da área missionária no KM 70. Qual a importância dessa área?


Padre – Essa abertura, essa capacidade de enviar missionários, revela a vitalidade da Igreja. Esse olhar da nossa Diocese para a região Sul da paróquia, encostando já em Porto Velho, que era uma realidade um pouco esquecida, onde são mais de dez comunidades que precisam de uma presença missionária. Acredito que a presença do padre Sílvio e do diácono Metódio e da esposa é de grande valia. No futuro, é possível que se crie uma paróquia lá, desde que se formem comunidades eclesiais, um trabalho de base. Eles vão para dar muito mais vida ao que já existe. Padre Sílvio com mais de 85 anos, com as suas fragilidades, esse gesto dele, não só nos desinstala, nos impulsiona, nos choca e nos arrasta a ter uma atitude de abertura cada vez aos apelos da Igreja. Eu vejo como algo providencial.


Tudo isso tem como pano de fundo a sua vocação. O que o senhor diria ao jovem sobre a beleza e riqueza de sua vocação?


Padre – A vocação é um chamado de Deus, de alguém que se sentiu amado por Deus. Deus ama a cada um de nós. Ama você, jovem. O amor de Deus é tão grande na nossa vida e essa consciência do amor de Deus em nós faz com que a gente se lance. Só vai para a missão quem entendeu o lançar-se da missão de Jesus. Ele se lança por nós, se transborda por nós, se doa totalmente por nós. Esse gesto dele não deixa a gente indiferente, quando você compreende esse gesto. A missão, a vocação, sempre é uma atitude de amor. Não tenha medo de dar a sua resposta. Mas, uma resposta generosa, que te leve a uma atitude, seja na sua comunidade, como catequista, coordenando grupo de jovens, se colocando nos grupos de reflexão. Eu não fiquei missionário agora. Quando eu fui entendendo o amor de Deus, eu fui me colocando a serviço. E de repente, fui para o seminário e, percebendo esse amor de Deus na minha vida, fui ajudando a dar esse testemunho. A missão nada mais é do que testemunhar a presença de Deus em nossa vida. A missão de Jesus está aberta para todos. Todos nós podemos servir à missão de Cristo. O missionário vai servir o Cristo. A mesma missão de Jesus é a missão dele.


 


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Padre José Nilson assume paróquia em Irati

Sacerdote ficou cinco anos em missão na Amazônia

 

 Em Ponta Grossa desde o início de março, o padre José Nilson Santos que serviu na Prelazia de Lábrea, no Amazonas, por mais de cinco anos, toma posse como administrador da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Irati, neste dia 6. Padre Nilson assume a paróquia ao lado do padre José Lauro Gonçalves Gomes, como vigário. A missa que vai oficializar a nova missão acontecerá nesta quarta-feira, às 19 horas. Nesta entrevista, padre José Nilson conta os detalhes de como se tornou missionário da Diocese de Ponta Grossa na Amazônia, sendo o segundo padre diocesano a participar do Projeto Igrejas-Irmãs.


Quando o senhor foi para a missão? Como surgiu o convite?


Padre José Nilson- Eu fui enviado para a Prelazia de Lábrea, dentro do Projeto Igrejas-Irmãs, como missionário para auxiliar aquela prelazia na sua carência de padre, a carência pastoral, no dia 1º de outubro de 2016, na Paróquia Santa Teresinha, em Ponta Grossa, por Dom Sergio. E lá, fui apresentado na prelazia como missionário enviado pela Diocese de Ponta Grossa pelo bispo prelado Dom Santiago, no dia 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida. A nossa Diocese estava vivendo o pós-Santas Missões Populares, momento em que toda a diocese vivia esse espírito missionário, a Igreja em Saída, tudo isso estava muito presente no meu coração. Além disso, eu sempre senti necessidade de fazer uma experiência de missão além-fronteiras da nossa Diocese e havia duas possibilidades: ir para a África, Guiné Bissau, a convite de Dom Pedro Zilli, através do padre Mário Spaki. Dom Pedro ligou para mim, eu estava em um curso para formadores, em Londrina, e ele abriu as portas da sua diocese, lá em Guiné Bissau. E a outra proposta surgiu a convite do padre José Lauro, que estava em missão, lá em Lábrea, e estava voltando para a Diocese e queria dar continuidade ao Projeto Igrejas-Irmãs. Então, achei por bem ir para Lábrea. Fui a convite do padre José Lauro e do bispo Dom Jesus Morazza, até então, bispo da Prelazia de Lábrea. Hoje, ele é o bispo emérito. Mas, antes de ser enviado para Lábrea, eu fui conhecer a prelazia. Fiquei 15 dias lá. 


Como foi o choque de assumir o trabalho pastoral em uma realidade tão diferente?


Padre- O que me ajudou foi o curso em Brasília. Eu fiquei um mês em Brasília, conhecendo um pouco da realidade da missão na Amazônia e isso me ajudou a não sofrer um impacto tão grande. Mas, eu lembro por exemplo, do clima, o calor era muito intenso; a comida, a maneira com que eles vivem, essa dimensão da família, que é bem diferente da nossa, a maneira de celebrar, mais alegre, mais dinâmica, batendo palma nas missas....Isso foi para mim também novidade. Mas, quando cheguei em Lábrea, o bispo pediu para mim: transcreva quais as suas reais motivações, por que vem para a missão? Eu escrevi que gostaria de colaborar, conhecer as comunidades ribeirinhas, conhecer as famílias, falei dos meus sonhos. Ele disse: tudo isso você vai viver na medida que o tempo vai correndo, porém, no momento, eu preciso do senhor para ficar responsável por uma área missionária dentro da cidade de Lábrea, como vigário. Vai ficar coordenando uma área de cinco comunidades. Dentro dessa área, grande, também vai ficar responsável pelo seminário propedêutico. Eu que estava saindo do seminário propedêutico acabei assumindo a formação lá, onde tinha um seminarista, que estava fazendo a experiência do propedêutico. Fiquei responsável pelo seminário onde tem uma chácara também e, além disso, coordenando essas comunidades, reunindo os conselhos, organizando as missas, todo o trabalho pastoral nesse setor. Além disso, eu também auxiliava nas desobrigas, as visitas subindo o rio. São mais de 60 comunidades, que uma vez por ano tem a visita do padre com o barco da paróquia. As irmãs agostinianas missionárias e alguns leigos, da Pastoral da Criança, me acompanhavam. Nesses três anos e pouco em Lábrea foram várias as vezes que eu fiz as desobrigas. 


Assumir a coordenação desse trabalho pastoral era o que o senhor esperava?


 Padre – Não. Eu achava que iria chegar lá e iria trabalhar mais no rio, em uma equipe itinerante, ajudando as comunidades, dando formação...E de repente, o meu trabalho era dentro da cidade: acompanhar a Catequese, as pastorais e movimentos que já existiam, os conselhos de comunidade, as festas dos padroeiros, suscitar a formação para os leigos, foi diferente. Entendi e vi como uma necessidade urgente. Me debrucei sobre isso. 


O senhor viu a evolução das comunidades?


Padre – Esse setor é quase uma paróquia e ali precisa de um padre. A presença do padre fazia toda a diferença, celebrando, participando das reuniões, fazendo as exéquias...Além disso, o bispo me confiou algumas tarefas a nível diocesano. Ser assessor da Pastoral da Criança de toda a prelazia. Vim para Curitiba fazer curso de assessor espiritual da Pastoral da Criança. Depois, acompanhar a Renovação Carismática Católica, a dimensão do dízimo, a Pastoral Vocacional. Foi interessante. Isso me ajudou a abrir horizontes, a conhecer o todo da prelazia.


E as desobrigas, era o que senhor imaginava?


Padre – Quando eu cheguei eram bem diferentes. A desobriga não era só ir ao encontro das comunidades, era viver a realidade dentro do barco, fazer a comida, dormir na rede, enfrentar os pernilongos, as muriçocas, correr o risco de pegar malária, chegar nas comunidades e ver a realidade do abandono das políticas públicas, sem escola, sem posto de saúde, sem agentes de saúde, trazer esse grito do povo para as autoridades. Fazer essa dimensão profética também dentro das desobrigas. Eu imaginava que era só chegar e celebrar a missa. Há toda uma realidade de sofrimento, de carência, algo muito mais impactante. Por exemplo, a gravidez na adolescência. As meninas com doze, treze anos estão grávidas. Situação de prostituição, a droga que chegou também nas comunidades ribeirinhas, a adolescentes e jovens fora da escola. Vi muitas situações assim. 


Como foi assumir a Paróquia São João Batista em Canutama?


Padre – Eu estava me preparando para voltar para Ponta Grossa porque o contrato falava de três anos e já estava quase indo para o quarto ano em Lábrea. Quando houve a proposta de Dom Sergio assumir uma paróquia a pedido do bispo, que era a Paróquia São João Batista, em Canutama, houve também uma proposta de Dom Sergio para mim, de eu ficar com o padre Osvaldo, que não conhecia a realidade e eu já tinha um caminho feito ali. Concordei em ficar mais dois anos. A paróquia é grande territorialmente. Tem mais de 29 mil quilômetros quadrados, maior que a nossa diocese. Outra realidade. Chegamos no ano da pandemia. Um ano muito difícil. Nós com muitos planos, muitas ideias, querendo colocar em prática aquilo que a Assembleia Paroquial tinha assumido, antes de nós, e, chegamos lá, nos deparamos com a realidade da pandemia. Uma cidade pequena, um hospital pequeno, estrutura não facilitava, sem barreira sanitária. Barcos chegando de Manaus, barcos passando de Lábrea. Nós, com muito medo. Se a questão da Covid se alastrasse, como estava em Manaus, seria terrível naquela cidade. Sem aeroporto, que está interditado; sem estrada, é tudo só pelo rio. Foi bem desafiador. Rezando missa somente pela rádio. Fechamos as igrejas, paramos com as atividades. Foi um ano muito difícil de adaptação para nós, sem poder estar em contato com o povo. Graças a Deus, tem uma rádio comunitária, a Voz de Canutama, que ajudou muito. Missas eram transmitidas, temos o programa da Igreja Católica, a fala do padre e é bem ouvida, tem boa participação da comunidade. 


Uma forma de consolidar o Projeto Igrejas-Irmãs, o pedido de dom Santiago Sanchez Sebastian, foi a criação da área missionária no KM 70. Qual a importância dessa área?


Padre – Essa abertura, essa capacidade de enviar missionários, revela a vitalidade da Igreja. Esse olhar da nossa Diocese para a região Sul da paróquia, encostando já em Porto Velho, que era uma realidade um pouco esquecida, onde são mais de dez comunidades que precisam de uma presença missionária. Acredito que a presença do padre Sílvio e do diácono Metódio e da esposa é de grande valia. No futuro, é possível que se crie uma paróquia lá, desde que se formem comunidades eclesiais, um trabalho de base. Eles vão para dar muito mais vida ao que já existe. Padre Sílvio com mais de 85 anos, com as suas fragilidades, esse gesto dele, não só nos desinstala, nos impulsiona, nos choca e nos arrasta a ter uma atitude de abertura cada vez aos apelos da Igreja. Eu vejo como algo providencial.


Tudo isso tem como pano de fundo a sua vocação. O que o senhor diria ao jovem sobre a beleza e riqueza de sua vocação?


Padre – A vocação é um chamado de Deus, de alguém que se sentiu amado por Deus. Deus ama a cada um de nós. Ama você, jovem. O amor de Deus é tão grande na nossa vida e essa consciência do amor de Deus em nós faz com que a gente se lance. Só vai para a missão quem entendeu o lançar-se da missão de Jesus. Ele se lança por nós, se transborda por nós, se doa totalmente por nós. Esse gesto dele não deixa a gente indiferente, quando você compreende esse gesto. A missão, a vocação, sempre é uma atitude de amor. Não tenha medo de dar a sua resposta. Mas, uma resposta generosa, que te leve a uma atitude, seja na sua comunidade, como catequista, coordenando grupo de jovens, se colocando nos grupos de reflexão. Eu não fiquei missionário agora. Quando eu fui entendendo o amor de Deus, eu fui me colocando a serviço. E de repente, fui para o seminário e, percebendo esse amor de Deus na minha vida, fui ajudando a dar esse testemunho. A missão nada mais é do que testemunhar a presença de Deus em nossa vida. A missão de Jesus está aberta para todos. Todos nós podemos servir à missão de Cristo. O missionário vai servir o Cristo. A mesma missão de Jesus é a missão dele.


 


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